Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

mommy, can I go out and kill tonight?



"A Religião é o ópio do povo": penso que foi um senhor de idade que disse, um que escreveu umas coisas que outros senhores de idade e pessoas mais jovens que eles ainda gostam de ler e citar, pessoas das utopias e dos mundos mais justos e da reforma agrária e da casa feita de doces e dos grilos falantes e das princesas e dos sapos! Espera, das princesas não, que devem estar incluídas no pacote da burguesia abastada e o proletariado certamente não iria gostar disso...

Adiante...

Dizia-se no início que "o futebol é o ópio do povo" (cheguem-se à frente e acompanhem o raciocínio)! Um cabaz de Natal antecipado aos nuestros hermanos e está tudo bem outra vez, não é verdade? A crise deixou de estar presente, a cimeira da NATO já não vem deixar mais prejuízo que lucro, o senhor primeiro-ministro continua a ser o senhor primeiro-ministro e a oposição que temos continua a ser uma das coisas mais ridículas desde os tempos do Croquete & Batatinha! O desemprego desapareceu, os salários aumentaram, os juros estão baixinhos e o IVA não está a meter-nos a mão no bolso todos os dias... Bastaram quatro golinhos num jogo amigável com os espanhóis! Ah se o governo se tem lembrado disto antes...

Como somos pequeninos, fomos logo a correr ver o que os outros países disseram sobre este nosso grande feito, o de golear a selecção campeã do Mundo e da Europa! Gostamos tanto de ver as outras pessoas a falar bem de nós! Mesmo que só tenhamos ganho um jogo particular, mas há que aproveitar todas as oportunidades para embandeirar em arco e fazer marchas de vitória e compilações de melhores momentos em vídeo para mais tarde recordar! Sim, gerações atrás de gerações vão recordar o dia em que ganhámos aos malditos espanhóis! Sim, porque apesar de tudo, eles continuam a ser os Campeões do Mundo e da Europa e nós... bem... nós demos 7-0 à Coreia do Norte no último Mundial, não foi?

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

where do we go from here?



Malditos sejam os sonhos! Maldita seja a capacidade de sonhar! O mundo dos sonhos devia ter consumo mínimo obrigatório ou, no mínimo, devia ser posto em prática o conceito de admissão reservada à gerência, para que apenas alguns sonhos conseguissem lá entrar, em vez da pouca vergonha que é agora, em que qualquer sonho lá entra e começa a gerar mau ambiente! Malditos sejam os despertares! Maldito seja o vício nefasto de todo o despertar que traz com ele a impressão de quase todos os sonhos! Maldita seja a capacidade de sonhar... O grande problema está no prazer de sonhar e o grande pontapé nos testículos está no facto do mundo dos sonhos ser um daqueles lugares em que não existe carimbo na mão, para se ir lá fora fumar um cigarro e levar um sonho connosco para o mundo real para nos dar lume... Maldito seja o mundo dos sonhos!

Domingo, 14 de Novembro de 2010

the devil dances inside empty pockets



Todos os silêncios deviam ser preenchidos com música. Em todos os momentos de espera deviam existir projecções de curtas-metragens ou épicos históricos, conforme o queimar dos segundos de desperdício. Todos os desperdícios mereciam uma segunda oportunidade. Com cada nascimento deveria ser entregue uma rede de malha fina, para se não se desperdiçar nenhuma oportunidade. Esta devia ser uma prática mandatória, ao contrário das outras práticas mandatórias com que o viver nos imunda. Não é gralha. Imundice. Não existe sabão azul e branco suficiente para nos imacular a alma, nem vassoura de salgueiro suficientemente forte para nos apagar o rasto pérfido do desassossego. Nunca conheceremos o céu. Antes aproveitar o melhor do pequeno inferno que ajudamos a crescer todos os dias.

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Luís de Matos lá do sítio, mas em bom!!

Confesso que deixei verter umas pinguinhas, enquanto estava a ver este video... sou um sentimental e esta música encaracola-me a espinha dorsal... mas tirando esse detalhe, o tipo tem cá umas mãos para esta coisa que é obra!

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

diablo swing orchestra infralove making



Não há quem não aprecie um bom jogo de palavras. A entrega ao conhecido aspecto manhoso da língua portuguesa. Dizem que é muito traiçoeira. Dada a segundos sentidos e dúbias interpretações. Soa-me a personalidade feminina. Talvez tenha sido por isso que os antigos lhe atribuíram o género. A língua. Feminina. Traiçoeira. Manhosa.
Agora que chegámos à época em que a folha cai e a transpiração começa a dar lugar ao arrepio, não tardará que se comece a propagar o habitual "isto está bom é para estar com ele entalado"! Ah, aquele segundo sentido confortável que tanto gostamos! Com o corpo entalado nos lençóis devido ao frio que está, pois claro... Não sou praticante desta modalidade inofensiva, qual garoto traquina a dizer uma malandrice e a ficar corado com o declarado sentido duplo daquilo que acabou de dizer! Prefiro outros jogos de semântica! Quando digo que estava bem era "com ele entalado", na verdade, a ideia que estou a tentar transmitir é que existe uma sensação de conforto muito grande em ter-se um bom par de pernas femininas entrelaçado à volta da cintura, enquanto o constante vai-e-vem pélvico suaviza o ardor causado por dentes e unhas rasgando a pele! Mesmo que seja um par de pernas moderadamente bom, já gostaria de "estar com ele entalado"! Aos diabos com a convenção politicamente correcta! Mesmo que fossem umas pernas amputadas a meio da coxa, que pertencessem a uma pessoa que se deslocasse numa daquelas grades com rodinhas que os mecânicos utilizam para se meterem debaixo dos carros, eu certamente iria apreciar "estar com ele entalado"!

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

foreclosure of a dream



Quando era um indivíduo folgado que dedicava algum do meu tempo à leitura, cruzei-me com um artigo, uma tese, uma teoria, seja o que bem for, que consumiu não só a minha atenção, como também o meu pensamento! O seu objecto de estudo era simples, apesar da complexidade do seu mundo e razão: os sonhos! Para ser mais específico, não só a capacidade individual possuída por todos nós de criar os sonhos que nos acompanham durante o sono mas, principalmente, a quase certeza de que sonhamos todas as noites invariavelmente, mesmo quando não temos qualquer memória de o ter feito! Para explicar esta parte da questão, os autores do referido texto (sinceramente já não recordo onde me cruzei com ele), utilizaram a analogia do gravador que ao longo da noite, em períodos de tempo completamente aleatórios, se vai ligando e desligando e assim gravando, ou não, os sonhos e pesadelos que nos ocorrem enquanto estamos de olhos fechados a tentar recuperar forças para o dia seguinte.
Tenho a perfeita noção que sonho com bastante frequência. Muitas vezes quando ainda estou acordado. Na verdade, muito do meu tempo é passado nesse exercício contemplativo de imaginação e magia pessoal, não que esteja continuamente a sonhar com o que possa não existir, mas sim a tentar compreender tudo aquilo com que me deparo quase todos os dias. Foi nisto que deu ser filho único com uma imaginação activa, uma mente inquisidora e largo acesso a uma boa dose de livros e muitos, muitos documentários! Ainda hoje continuo a alimentar este ser com a mesma ração de antigamente, se bem que tenho reduzido na dose de leituras recomendadas…
Para além dos inúmeros sonhos que tenho habitualmente, existem também bastantes pesadelos, como é óbvio. Se bem que, ligeiramente menos que verdadeiros pesadelos, acabam por ser mais parecidos com pequenos filmes de terror ou pequenos episódios de violência contida ou outros ainda que, à falta de melhor definição, são meramente estranhos mas que dariam uma boa curta-metragem para o David Lynch! Assim de repente, só para terem uma pequena ideia, tenho vagas memórias de um desses exemplos de bizarria, que incluiu um grupo de Leste com ligações ao crime organizado, mas que apenas pretendia uns trocos que houvesse à mão e uma boa oportunidade para dar umas gargalhadas, uma casa assombrada (inicialmente pelos amigos de Leste, mas depois por uma alma perdida e em forte carência de companhia) e palha! Uma imensidão de palha! Quantidade de palha suficiente para conseguir insinuar-se em locais da minha anatomia que eu julgava nunca sentir o que fosse a insinuar-se! De forma voluntária, pelo menos… Não consigo perceber o significado deste improvável ensemble, mas sinto a mesma dificuldade em entender muito do trabalho do senhor Lynch…
Por muitas ocasiões anteriores alimentei o desejo de que existisse uma forma de registar esses sonhos, como se o tal gravador da teoria fosse realmente palpável e estivesse instalado na mesa de cabeceira a meu lado, registando todas as aventuras em que Morpheu já me convidou a participar, todo o romance que experimentei enquanto a coberto daqueles lençóis de Inverno e que muitas vezes me fizeram despertar com uma sensação de humidade diferente do normal e, até mesmo, todas as ocasiões em que dei por mim em queda livre de alturas monstruosas, a tentar escapar a golpes de lâminas afiadas ou evitando que mulheres idosas semelhantes a feiticeiras me conseguissem morder as mãos enquanto corria nu por uma rua prestes a ficar deveras movimentada!
Não tenho o gravador. Não existe semelhante aparelho. Mas tenho as imagens e um pouco das sensações que a minha memória conseguir guardar e é com isso mesmo que vou alimentar o tal gravador que não existe, mas que pode ser sonhado e se os sonhos não podem ser gravados, podem pelo menos ser escritos…

suffer the children



Ando a experimentar um novo género de sofrimento diário. Uma forma diferente de fazer com que os meus dias, em diversas ocasiões fáceis de serem levados, mas muitas outras com um elevado índice de vão-se-todos-foder, tenham aquela aura irritantemente perniciosa de como quem diz: “estava capaz de me tornar numa daquelas pessoas cuja foto aparece nos noticiários depois de ter perpetrado um massacre violento num infantário durante a hora da sesta, com um maçarico de acetileno aceso numa das mãos e um moto-serra em plena velocidade assassina na outra, enquanto gritava com todo o vigor e a plenos pulmões “vou acabar com a vossa raça, malditos adoradores de plasticina e gomas de framboesa!”.
Não tenho absolutamente nada contra as pobres crianças! Nem sequer são elas que me andam a atormentar. Coitadinhas. Em abono da verdade, um dos sentimentos que mais me invade quando as vejo a correr por aí fora à procura de um pretexto qualquer para esfolar um joelho ou subir acima de uma árvore e tentar partir um braço na queda, é a inveja de não poder andar ao lado deles a correr e a jogar à bola, a partir vidros só porque sim e a chamar ‘gordo’ aos barrigudos e caixa-de-óculos aos tipos que, como eu, usam óculos e são barrigudos… Existe uma beleza qualquer que emerge desta frontalidade infantil e da falta de qualquer tipo de pudor que os possa impedir de serem cruéis sem saber que o estão a ser. A ingenuidade que apaixona qualquer pessoa por aquela pureza que se inveja e se deseja. Quem me dera ser criança novamente…
A minha cruz não são as crianças, mas sim os outros. Os adultos! O meu calvário é não poder escudar-me na imunidade daquela frontalidade infantil e fazer saber a alguns desses adultos que o seu prazo de validade está a esgotar-se! Não interpretem erradamente o que estou a querer dizer! A intenção não passa por dar início à contagem decrescente da ampulheta até ao ponto em que se acenda um maçarico ou se comece a brandir um moto-serra e se vá procurar uma multidão para mutilar! Nada disso. Sou uma pessoa do bem. Sou da paz. Consigo alimentar uma imaginação plena de cenários mórbidos, sádicos, ricos em blasfémias e heresias, mas no fundo, sou bom rapaz. Gosto de um pôr-do-sol no Verão e de beber chá aos domingos…
Mas seria engraçado colocar todos esses caducos a caminhar na prancha, principalmente agora que a pirataria está tão na moda, apenas para aferir se eram merecedores de uma segunda oportunidade ou se, por outro lado, nem por isso. A verdade é que muitos deles estão a mais! Eu, se calhar, também estou. Se for demasiada a prática do orgulho na inutilidade da vida então, meus amigos, estamos lá a preencher as quotas estabelecidas para tudo quanto seja verbo de encher, peso-morto ou lastro!
Esgotam-me! Esgotam-me, porque todos os dias vão levando um bocadinho de mim. Levam-me tudo e estão dispostos a não me deixar nada. Nem um pouco da minha paciência, nem uma réstia da minha boa-vontade, nem um resumo da minha antiga alegria.
Cansam-me estes adultos de encher…

Domingo, 12 de Abril de 2009

going nowhere



Não vos parece que, por vezes, faz falta um sentido? Um propósito, um objectivo, uma meta ou outro qualquer sinónimo que consigam encaixar aqui...? Tem que existir algo mais para além destas repetições. A viagem não se pode resumir a duas ou três paragens e apeadeiros! Principalmente se viajamos sozinhos...

Domingo, 22 de Março de 2009

shave



Apesar de ser tarde, não deixa deixa de ser cedo! É uma afirmação palerma, mas em termos de rotinas faz todo o sentido. Pelo menos para mim... Cheguei a casa depois de passar um bocado desta noite a consumir cigarros de forma compulsiva e a encharcar esse consumo com cerveja estrangeira... Mais uma noite, igual a tantas outras...
A moral que me acompanhou no prenúncio de uma outra noite sem grandes emoções apresentou-se num tom elevado. Foi cedo aquando da minha visita ao chamado ‘trono do castelo’ com o intuito de deixar ficar para trás o lastro conteúdo das minhas entranhas. Após um destes momentos, ficamos sempre com a sensação que o dia ou a noite só podem correr melhor, sentimo-nos bem, leves, despegados daquelas amarras que o nosso metabolismo nos impõe para nos fazer lembrar que estamos carregados de impurezas, lixo orgânico e demais organismos celulares há algum tempo perecidos no nosso corpo.
Senti-me tão bem que o duche que sucedeu esta operação ainda me soube melhor. Decidi que desta vez não haveria lugar à habitual prática onanistíca que costuma acompanhar o ritual de purificação. Ficaria talvez para mais tarde, dependendo do grau de alcolémia com que abordasse as portadas do lar e a privacidade da ... privacidade!
Apesar de tudo, tinha que haver lugar a uma libertação maior, um outro patamar de limpeza e purificação. Lâminas à distância de um gesto, demorou apenas um breve momento até que todas pilosidades do crâneo e face desaparecessem. New look! Mas não fiquei por aqui. Oferecendo liberdade ao aço cortante, libertei as chamadas partes fodengas de tudo quanto tivesse aparência capilar, por forma a trazer um pouco mais de frescura à derme. É também uma moldura diferente que se apresenta no caso de alguma alma caridosa nos querer oferecer o chamado prazer oral. Como se fosse hábito...
Uma generosa defecação, que é como as pessoas educadas chamam a uma valente cagada, um duche relaxante e um corte de cabelo quase total, estavam a preparar-me para sair de casa na procura de um sábado à noite em condições. “Hoje acabo a noite a lamber umas mamas!”, pensei quando segurei nas chaves do carro e saí em direcção da casa dos meus pais, para um jantar grelhado e uma troca de galhardetes às custas de um jogo qualquer que estava a ser transmitido num canal qualquer. Era mais para oferecer ânimo do que outra coisa. Normalmente isso nunca acontece. Refiro-me ao lamber de mamas. É uma pena, pois considero-me um excelente lambedor. Mais um talento que se anda a perder...

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

newborn



A escassa meia hora do fim deste dia, interrompo aqui a emissão, apenas para dizer que hoje tenho a sorte e a felicidade de ver aquele rapazinho da imagem (que é como quem diz, eu mesmo) cumprir as suas 32 primaveras... Podem afirmar que este é um exercício ao ego, mas meus amigos e amigas, conhecidos e conhecidas, familiares, traseuntes e demais vagabundos que me enchem a cabeça todos os dias, aqui eu posso fazer o que eu bem entender, está bem?
Agradeço a todos quantos me fizeram chegar as vossas palavras carinhosas e outras que não deixando de o ser, apenas poderei voltar a pronunciar em privado, porque um indíviduo quando chega a uma certa idade dá-se um bocadinho ao respeito... Muito obrigado!


MUSE: newborn

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

jovem procura companheira



Um destes dias vou aventurar-me e colocar um anúncio num jornal, revista ou site, qualquer que seja a plataforma onde se colocam anúncios! Uma coisa do género jovem procura companheira, para ver se (como dizem os antigos) consigo assentar e orientar a minha vidinha...
Mas a tarefa não se assemelha fácil. Existem muitos critérios a preencher, muitos pormenores que parecem insignificantes, mas que podem ditar a diferença entre uma aposta feliz e uma primeira página de um jornal como O Crime! Coisas minhas, a bem dizer...

Não deverá ser demasiado baixa, nem demasiado alta, pois não tenho estofo psicológico para ser conhecido como o minorca de alguém. A não ser que possua um daqueles corpos descomunais, uma versão nórdica acompanhada por uma daquelas caras que só apetece embrulhar naquele plástico de bolhinhas, pois temos receio que se possa partir. Estou certo que neste ponto estará alguém a pensar “olha o tipo a sonhar com um estereótipo...”. Não consigo ter nada contra sonhos desta natureza. É sempre uma delícia ser envolvido por um desses tais corpos descomunais e eu sempre sonhei em ter um parque de diversões só para mim!

Não poderá ser demasiado novinha, pois não me apetece ter chatices com as autoridades e não tenho paciência para andar a decorar paredes com posters dos Morangos, nem demasiado velha, pois dá-me a parecer que o carbono 14 é um bocadinho caro e depois pode-se tornar mais complicado para saber em que dia exacto é o seu aniversário! Se bem que a experiência de anos acumulada poderá ser bastante proveitosa em diversos campos que de vez em quando me ocorrem à mente... No entanto, se quisesse tornar-me no brinquedo de alguém, por esta altura estaria a viver numa prateleira qualquer algures no Toys R Us à espera que chegasse Dezembro!
Terá que ser feminina o suficiente para me massacrar o juízo sempre que deixar o tampo da sanita levantado e para apreciar lingerie e camisas de dormir com rendas e transparências! Mas esses serão os únicos locais onde serão permitidas as rendas! O uso ocasional de saias é um imperativo, uma vez que esse é dos poucos fetiches a que o meu pensamento moderadamente lascivo se permite! Bom, saias e sexo oral, pronto...
Para equilibrar de forma inteligente com o aspecto feminino da coisa, deverá também ser suficientemente atlética para conseguir carregar objectos relativamente pesados sem sentir necessidade de pedir ajuda, pois o receio de estragar a recente pintura de unhas é demasiado para conseguir suportar! Mas terá que ser habilmente capaz de suportar horas seguidas de frenético consumo alcoólico, seguido de horas seguidas de frenética prática sexual, incluindo algumas modalidades que ainda são proibidas em algumas zonas do mundo.

Pretendo que seja inteligente! Mas não ao nível de uma criança de três anos a quem as cores fazem confusão e as tomadas das paredes parecem convidar a que se metam lá os dedos! Havemos de encontrar locais mais interessantes onde ocasionalmente colocar os dedos! Se tiverem um quoficiente de inteligência daqueles que rebentam a escala, não se incomodem a responder, pois não pretendo adquirir oitenta e dois volumes de enciclopédia apenas para conseguir perceber o que respondem quando um tipo lhes pergunta como correu o dia...

Terá que gostar de literatura! Não existe necessidade de citar o Guerra e Paz de cor, nem de me conseguir explicar a Metamorfose de Kafka como se eu fosse uma criança de oito anos ou mesmo apontar as diferentes tendências existentes na moral kantiana em oposição aos autores da corrente Humanista, mas tem obrigatoriamente que saber que o Superhomem de Nietzsche não é um indivíduo de capa vermelha com pronúncia alemã ou que o Marquês mais boa onda da História não foi o tipo da baixa pombalina, mas aquele a quem muitos acusaram de sodomita e que alguns outros demais ainda hoje consideram um incompreendido! Deve também compreender que existe vida para além de Saramago e que um livro com letras muito pequeninas e sem bonecos não nos vai roubar a alma...

O gosto pela música será indispensável! Aqui pede-se a largura de horizontes necessária para conseguir apreciar com a mesma alegria e vigor o som de influência tradicional/folclórica dos Balcãs ou o metal extremo dos adoradores de Satanás da Noruega, passando pela noção que o bom reggae pode existir sem que Bob Marley exista, a kizomba é aborrecida, os Tokyo Hotel já têm idade suficiente para ter juízo mas não para serem ícones, a música dos ABBA já existia muito antes do musical Mamma Mia e lá porque uma música passa na rádio não quer dizer que seja boa.
Deve possuir estofo suficiente para passar algumas horas a olhar para um palco onde quatro ou cinco tipos suados mostram a música que criaram, ao mesmo tempo que coordena uma cadência regular com um pé à sua escolha, evitando o comentário habitual de que um indivíduo quando grita não está a cantar, pois assim evita o desconforto de tentar explicar a Tina Turner, a Janis Joplin ou mesmo o Leonard Cohen e o Abrunhosa.

A apetência para o cinema é também um critério muito importante a ter em conta, para o qual existem algumas particularidades, como sejam a noção de que as comédias românticas são ideais para se verem quando não existe uma casa-de-banho para limpar ou meia tonelada de lenha para carregar para o quarto andar; qualquer filme de terror em que não entre Christopher Lee, Boris Karloff, Bela Lugosi, Peter Cushing, Peter Lorre ou Vicent Price é uma produção de segunda linha; um musical que se preze chama-se Música no Coração, O Feiticeiro de Oz, Um Americano Em Paris ou Singing In The Rain; Stallone e Schwarzenegger são os maiores, mas Clint Eastwood, Chuck Norris e Charles Bronson é que dominam; o Bruce Lee bate no Jet Li!
É necessário ter a visão crítica suficientemente apurada para poder afirmar que o Jim Carey, apesar de bom, não passa de um Jerry Lewis reciclado e actualizado; filmes a preto e branco também são bons; filmes falados numa língua que não o inglês também são bons; nem tudo o que ganha um Óscar é bom; e por aí fora...

Assim, de repente, são algumas das coisas que me lembro, mas no fundo, no fundo, bastava colocar no anúncio: “Jovem procura companheira. Dá-se preferência a seios generosos!”. Estejam à vontade para responder...

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

obrigado João Aguardela (1969 - 2009)

O primeiro post de 2009, após demorado estado de letargia, que é como quem diz: umas quantas semanas de deixa-me-lá-estar-sossegado-que-daqui-a-pouco-já-vou-postar-qualquer-coisa, não é um post feliz, mas sim um agradecimento...
João Aguardela faleceu no passado domingo, vítima desse ceifador cego que é o cancro. Tinha 39 anos e deixou que a sua criatividade se mostrasse em diversas manifestações da música portuguesa. De Sitiados a Linha da Frente, de Megafone a A Naifa.
Não fui um dos que apreciou mais os dois primeiros, mas Megafone e A Naifa são recorrentes no eterno gira-discos que existe no interior da minha cabeça. Por essa razão, o meu obrigado pela música que ficou, João Aguardela...


MEGAFONE: aboio

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

plus 44


As matemáticas e aritméticas sempre foram a minha grande desgraça enquanto cumpri o meu papel de estudante... Hoje resolvi experimentar um exercício mental para saber a que resultado conseguiria chegar...
Descobri que o resultado do empréstimo que pago pelo meu apartamento subtraído ao meu salário + subsídio de alimentação + horas extraordinárias, resulta em que não esteja a pagar casa própria, mas sim um quarto maior ligeiramente mais longe da cozinha dos meus pais...

the final solution


Consigo passar semanas a fio sem abrir a minha caixa de correio. É a minha forma de dizer ao mundo que não tenho contas para pagar...

heaven shall burn


Coloquei agora um disco a correr no leitor e o despertar que ocorre entre a introdução e o primeiro tema parece-se um pouco com a vida de sempre. Violinos e violência. Que dicotomia. O embalo inicial a dizer-nos que o quotidiano tem momentos sublimes e a sucessão a explodir-nos na cara como que a dizer que as fantasias não existem, que o melhor é estarmos preparados para que nos desfaçam a pouco e pouco, num instante, com palavras reais e com a própria realidade.
Violência e violinos. Entre o caminhar descalço sobre vidro e o sentir angustiante das arestas afiadas que nos dilaceram a carne. Ritual de lo habitual, já dizia o outro, mas o céu nunca arde. Aquece mas não queima. Conforta, mas não nos faz sentir vivos. Parece que não há o que faça. Há quem diga que a morte, pois oferece à posteriori outra perspectiva sobre tudo. Há quem diga, que não eu, que não sou uma alma da Renascença. Descobrir é para pioneiros. Estou confortável a espalhar vidros pelo chão, mais tarde decido se me descalço ou não...

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

tocador de discos no dia 15-11-08 lado a lado com os V8 BOMBS no SIDE B Bar em Benavente

Planos para o próximo sábado à noite? A mim parece-me bem uma noite de rock no SIDE B Bar em Benavente... Com a presença ao vivo do rock dos V8 BOMBS de Coimbra e com um alinhamento sonoro roqueiro da era de oitenta pelas mãos aqui do rapazola! Vamos a isso!

tocador de discos: o que se ouviu quando o TÊ Bar trouxe de volta os anos oitenta e tudo quanto havia de bom e de mau

Ao prenúncio da noite tudo prometia ser complicado, tal era a dor de cabeça que me atingia durante a tarde e a dúvida respeitante ao sucesso da montagem em video, que me custou boas e merecidas horas de sono... No final de contas, apenas o preparo visual resolveu trair as expectativas, fruto da sua recusa em prosseguir a partir da hora e meia de filme. A dor de cabeça desapareceu depois de uma sesta e de umas cervejas... Ainda assim, nada mau...
A trilha sonora correu livre e à vez, às mãos deste vosso amigo e do outro vosso amigo, DJ Zé Avó, com um pouco de tudo quanto havia sido prometido mas, mesmo assim, obrigados a deixar de fora muito sucesso que talvez tivesse merecido uma outra atenção... Não deixa de ser uma pena que o som tivesse que terminar às 2h da manhã.
Para os curiosos e apreciadores fica aqui a viagem da noite, apenas com a omissão de um ou outro tema que não foi devidamente registado para a memória futura:


DEAD OR ALIVE - you spin right round (like a record player)

TÊ BAR - ANOS 80 by Marujo:
FR DAVID – words
FLEETWOOD MAC – little lies
LEVEL 42 – running on the family
BERLIN – take my breath away
MAGGIE REILLY – moonlight shadow
JOY DIVISION – love will tear us apart
MEN AT WORK – who can it be now
NIK KERSHAW – the riddle
HUMAN LEAGUE – don’t you want me
FALCO – Vienna calling
LIPPS INC – funky town
LIMAHL – neverending story
UB40 – I got you babe
PRETENDERS – don’t get me wrong
IRENE CARA – fame
ELO – rock and roll is king
BELINDA CARLISLE – heaven is a place on earth
EDDIE GRANT – gimme hope Joanna
DEAD OR ALIVE – you spin me right round
BANANARAMA – venus
COMMUNARDS – don’t leave me this way
KYLIE MINOGUE – locomotion
DA VINCI – conquistador
TECHNOTRONIC – pump up the jam
EURYTHMICS – sweet dreams
TONICHA – zumba na caneca
JOSÉ CID – como o macaco gosta de banana
DOCE – ok ko
EUROPE – the final countdown
IRENE CARA – she’s a maniac
BON JOVI – livin’ on a prayer
THEME – verano azul
SÉRGIO GODINHO – é tão bom
MEL & KIM – respectable
SABRINA – boys
DEXTER’S MIDNIGHT RUNNERS – come on eillen
ABBA – waterloo
BONEY M – gotta go home
VILLAGE PEOPLE – in the navy
DEPECHE MODE – I just can’t get enough
SPANDAU BALLET – to cut a long story short
YAZZ – don’t go
HITHOUSE – jack to the sound of the underground


CARLOS PAIÃO - playback

TÊ BAR - ANOS 80 by José Avó: SPANDAU BALLET – true
LENA D’ÁGUA – sempre que o amor me quiser
PRINCE & THE REVOLUTION – when doves cry
KAJAGOOGOO – too shy
STEVIE WONDER – I just call to say I love you
IMAGINATION – just an illusion
WATERBOYS – the whole of the moon
THE BUGGLES – video killed the radio star
VAN HALEN – jump
CULTURE CLUB – karma kameleon
KAOMA – lambada
GRUPO DE BAILE – patchouli
PESTE & SIDA – sol da caparica
HERMAN JOSÉ – canção do beijinho
HERÓIS DO MAR – amor
CARLOS PAIÃO – playback
THEME – méxico 86
DOCE – bem bom
BANGLES – walk like an Egyptian