A rotina está criada, dizia... Domingo é dia de treino como domador de sofás e para acompanhar a tarefa, corre-se um filmezinho no aparelho e espera-se que não seja necessário ir demasiadas vezes à retrete, para não perder o embalo da coisa... As escolhas por vezes nem são muito bem calculadas, acabam por acontecer e pronto. Tal como foi este caso. Ele já estava prometido. Há tanto tempo ali em cima da mesa, a chamar a atenção de cada vez que por alí passava alguém, a tentar sair de caixa, por assim dizer... Mas ainda não era tempo. Há filmes que são assim. É necessário esperar um pouco mais, aguardar pela temperatura ideal, a companhia ideal ou pelo aborrecimento de morte.
Nenhuma das anteriores. Mas foi dia de "BIG FISH" (Tim Burton, 2003). Apenas e só porque sim e porque, afinal de contas, ele já estava ali em cima da mesa, angustiado pela espera imensa e pronto para partilhar um domingo qualquer... Devo dizer desde já que não tenho conhecimentos cinéfilos ao nível de tantos dos que vejo por aí a comentar obras de Oliveira, Almodóvar, Kurosawa ou Sá Leão. Gosto ou não gosto, aconselho ou não aconselho. Não me aventuro em derivações de como foi tamanha a influência em toda a arte cinematográfica aquela cena do "Splendor In The Grass" do Kazan ou como a industrialização do Homem é retratada no "Metropolis" do Lang. Gosto, não gosto. Aconselho, não aconselho. Mais nada... Não sou metido a rebelismos de sousa...Vi o "BIG FISH" do Tim Burton e posso desde já dizer que chorei que nem uma menina de quatro anos! Sim, porque uma vez que se diz por aí que as mulheres gostam tanto de homens com um lado sensível, estou aqui a confessar o meu... Verti as minhas lágrimazinhas no final daquilo, é verdade...
Entre as diversas obras assinadas pelo Tim Burton, esta não me ficou entre as favoritas, uma vez que o indivíduo é responsável por coisas como "SLEEPY HOLLOW" (1999), "ED WOOD" (1994) e "BEETLEJUICE" (1988), pedaços de cinema mais ao encontro do meu paladar. Mas ainda assim foi uma tarde de domingo bem passada, apesar do final me ter encharcado os olhos. Mas em minha defesa, tinha uma janela aberta e estava uma corrente de ar que deve ter levantado alguma poeira que me turvou a visão... Coisas minhas...
Um singelo pedido... Não me aconselhem filmes como se eles fossem melhores do que uma sessão de sexo com duas gêmeas suecas que trabalhem no circo como engolidoras de espadas ou contorcionistas profissionais... Este foi por um triz, mas ainda não me refiz muito bem do "MASTER & COMMANDER" (Peter Weir, 2003).
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