quinta-feira, 28 de agosto de 2008

senta no meu que eu entro na tua


Sabemos que vemos demasiada pornografia quando, num inocente diálogo acerca de uma inocente festa, onde se podem levar os nossos companheiros, onde a animação passa por diversas figuras insufláveis e pinturas faciais para os mais novos, as imagens que nos surgem na mente são casas de swing, bonecas insufláveis e money shots...

sit down and enjoy

Numa casa-de-banho pública, será o nojo ou a preguiça que me fazem optar pelo assento cujo tampo esteja já levantado...?

arbeit macht frei

Eu já não gostava muito de israelitas, mas depois de ler isto, esse não gostar ganhou uma dimensão totalmente nova...

domingo, 24 de agosto de 2008

afinal em que ficamos?



Agora que finalmente as olimpiadas terminaram é altura de alguém me explicar convenientemente se, afinal de contas, fomos os maiores e saímos de lá com mais uma das habituais vitórias morais a que tanto nos habituamos a apreciar ou fomos uma daquelas vergonhas em que mais vale açoitar toda a gente que fez parte daquela comitiva, que é para ver se eles aprendem a não voltar a brincar com o orgulho de uma nação?
Se por um lado as expectativas eram elevadas, tendo em conta a qualidade dos nossos atletas e as posições que muitos deles ocupam nos rankings das respectivas modalidades, cedo se começou a notar que, se calhar, o mar de rosas que inicialmente se pintou, não era assim tão colorido quanto isso...

Muitas vozes prometeram medalhas e pontuações, tornando esta a melhor comitiva olímpica que alguma vez o nosso país teria enviado a uma competição desta magnitude. Voltamos para casa com uma medalha de ouro e outra de prata, graças aos esforços de Nélson Évora e Vanessa Fernandes. Tivemos um quarto lugar na vela, com Gustavo Lima a ficar a um ponto do bronze. Vários outros atletas ficaram pelo caminho, acabando o seu calendário em diversas posições, desde sétimos a trigésimo terceiros e por aí fora.

A minha confusão prende-se com os opinion-makers dos media, desde jornalistas a comentadores que, no espaço de alguns dias, fizeram desta comitiva uma espécie de montanha-russa de resultados, pois se num momento estávamos a caminho de uma olímpiada histórica para a nação lusa, no outro já se tratava de um exemplo de péssima dedicação e brio profissional, para voltar quase de imediato (após a conquista das referidas medalhas) a ser uma das melhores participações de que há memória!

Afinal em que ficamos? Aquilo correu bem ou nem por isso?

Houve quem se lamentasse do dinheiro contribuinte gasto por aqueles atletas, que teriam ido fazer turismo em vez de tentar o seu melhor e competir lado a lado com os melhores dos melhores. Houve quem dissesse que não se podem comparar as condições de treino e o investimento feito no desenvolvimento das modalidades que acontece nos outros países.
Mas vamos lá a ver uma coisa, não eram alguns dos nossos atletas campeões e vice-campeões, europeus e mundiais, das suas categorias? Não seria isso suficiente para deitar por terra a justificação de que somos os eternos coitadinhos, o país pequenino, que não tem condições ou logística desportiva para poder competir com as nações mais poderosas do desporto como o Zimbabwe, Uzbequistão e todos os demais tubarões das medalhas?

É certo que existem fundos oriundos dos nossos impostos que são desviados para o comité olímpico nacional, mas não sejamos dramáticos, pois os nossos atletas nem ganham tanto quanto isso às custas das suas modalidades. Se assim fosse, muitos deles não teriam necessidade de manter os seus empregos ou serem obrigados a gastar os seus preciosos dias de férias para envergar a camisola das quinas.

A infelicidade da participação nacional teve o seu aspecto visível na justificação que muitos atletas ofereceram para os seus resultados abaixo do previsto. Entre o caso mais mediático do pobre Marco Fortes que preferia ter ficado na caminha em vez de ir lançar o seu peso tão cedo e a perplexidade de Telma Monteiro por achar que as suas adversárias a estudaram com afinco para a poder derrotar, acabando também por deixar, à boa maneira portuguesa, uma palavrinha para os árbitros, houve também os casos de Jessica Augusto e Vânia Silva, a primeira porque achou que não valia a pena fazer a sua prova (5000 metros) já que o contigente africano iria ganhar certamente, a segunda (lançamento do martelo) porque não era muito dada àquele tipo de competições... Como?!? Só faltou mesmo dizer com todas as palavrinhas que “os outros correm muito, que têm sapatilhas mais caras e eu também gostava de ter umas assim, não vou porque o tipo do Gana me chamou cabeçudo, não posso competir pois só comi uma sandes de manteiga ao almoço e estou em fraqueza...”!

Foram, de facto, afirmações demasiado infelizes e justificações demasiado injustificáveis. Poucos foram os que afirmaram com total honestidade “Tentei, mas não consegui. Eles foram melhores que eu...”. No que a mim diz respeito, até dispensava bem o pedido de desculpas feito por Obikwelu, porque o rapaz não tem nada que pedir desculpa. Foi lá, competiu, tentou fazer o seu melhor. É disso que se trata... Competir. Tentar superar os nossos adversários. Mesmo que para isso tenhamos que os estudar, levantar cedo, correr em grupo. Mas temos que competir para saber se somos ou não dignos de envergar uma daquelas medalhas e ter o nosso nome ligado à história das olimpíadas pelos melhores motivos!

Não estou contra os atletas que foram a Pequim e ficaram aquém das expectativas. Eu não conseguiria atingir os mínimos que eles atingiram para estarem presentes. Para o fazer, ficaram à frente de muitos outros atletas. A sua classificação final, ainda que longe das medalhas, deixa-os à frente de muitos outros atletas. Foram infelizes em algumas declarações? Foram, sim senhor! Mas mais infelizes que eles foram todos os outros que, deste lado do mundo e muito longe de Pequim, se apressaram a rotular de vergonhoso e muito, muito fraquinha toda aquela experiência olímpica. O desconfortável hábito lusitano de alimentar a curta memória cria esse fenómeno do hoje és grande, amanhã és uma merda e no próximo fim-de-semana quero ter um filho teu, mas eu não sou grande adepto dessa modalidade. O incrível parece ser que, em comparação, ao mundo do futebol tudo se perdoa e pouco se critica, tendo em conta o sorvedor de dinheiro público e privado que representa e os resultados finais que, sejamos honestos, não têm mantido a nossa reputação nos lugares cimeiros de uma forma constante...



Parabéns aos que voltaram de medalha ao peito e aos outros, meus amigos, vamos esforçarmo-nos para fazer melhor para a próxima e tentar desenvolver um pouco mais de tacto nas opiniões que publicamente deixamos sair das nossas boquinhas... Está bem?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

todo o carnaval tem seu fim

Apetece começar por dizer “então como vai essa saúde?”, que é mesmo o tipo de coisas que se dizem quando se está ausente durante uma temporada ou então, em alternativa, como me foi dito a mim há um par de dias atrás, “ver se vamos beber um copo para eu ver como é que está essa tromba!”, o que, diga-se em abono da verdade tem um vigor sentimental muitíssimo mais forte! Como seria de prever facilmente, as férias terminaram e aqui o dono da tromba já está de volta ao circuito habitual de piscinas casa-trabalho-casa-trabalho-de-vez-em-quando-beber-um-copo-casa...
Quando iniciei o período de vacances, como se diz lá na Paris da France, tinha a intenção de fazer uma espécie de diário de bordo, uma coisa assim mesmo a la William Shatner, com datas interestelares e tudo, para depois ir deixando por aqui. Não que vocês tenham qualquer interesse na forma como passo os meus tempos livres, mas sempre ia ocupando um ou outro período morto e aqui o estaminé podia ter um dinamismo diferente no que a postings diz respeito. Ah, e também porque sim...
Mas afinal de contas, onde estão todas essas linhas de aventuras e desventuras? Pois é, pois é... O que se passou foi que entre o querer e o fazer ainda ficou um ou outro rabisco por escrever... Coisas naturais de acontecer quando se está de vacances e cuja vontade de abandonar o conforto da rotina palhas-deitado-palhas-estendido é demasiado parca para vertigens criativas. O engraçado é que o entusiasmo inicial ainda me fez encher linha atrás de linha que, inclusivé, acabaram por-se multiplicar por algumas páginas! Mas isto aconteceu apenas nos primeiros dois ou três dias de descanso...



Mas agora que terminou o chamado bem-bom e que a tal rotina diária do emprego me voltou a trazer novamente a tristeza a estes lindos olhos, um ou outro ponto de referência aqui feito não ficaria nada mal.
Um resumo mais ou menos colorido da coisa poderia rezar que lá fui fazer a desejada romaria para arrepio de pêlo perante os velhotes de barriga proeminente que inventaram a anarquia envolta em laçarotes musicais e demais jargões de uma geração à qual quase pertenci. A chuva é que ia estragando toda a paródia, mas nada que umas cervejolas degustadas em esforço não conseguissem ajudar a suportar.
Após essa ida à Meca volante do rock’n’roll, seguiu-se toda uma colecção de dias e noites partilhadas com almas de quem se gosta muito, entre a bonomia do sofá e do cinema a cores e a agradável acidez de uma cerveja fresca na esplanada da ordem, passando também por investidas a castelos e a lugares medievais e façanhas de fazer jus ao nome que carregamos, eu e o meu anfitrião, por caudais mais ou menos afortunados e remotos lugares de água por terra rodeados. A cútis trouxe as suas merecidas cicatrizes pois só existe uma forma de se fazer as coisas e tem que ser à homenzinho!
Diga-se de passagem que para um indivíduo que apresenta um notável físico semelhante ao meu, se bem que seja mais a roçar os arrabaldes da bizarria e do exótico, enfrentar o calor abrasador da chamada Terra Quente é uma tarefa que apresenta os seus desafios. Nomeadamente aquando do momento de viver um pouco o exercício de Narciso e namorar no espelho as nossas tonalidades recém-adquiridas. É neste momento que dou comigo a tentar perceber porque estranha razão me desleixei tanto ao ponto de cultivar uma proemimente barriga que agora, com os seus refegos e entrefolhos, me oferece um bronzeado mais ao estilo de uma zebra africana ou de um tabuleiro de xadrez... Mas sem os bonequinhos todos lá em cima que era capaz de se tornar um bocado esquisito...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

fui ali e já volto

A digressão está a correr que é uma maravilha! Para já, uma vez que apenas hoje consegui aceder à auto-estrada da informação, ainda não há grande actividade no que a posting diz respeito, mas mais um dia ou dois e começo a deixar muita palha aqui na malga... Ou não... Depende tudo da minha paciência, que isto de estar de vacances tem muito que se lhe diga...
Uma coisa vos posso assegurar, está por aqui uma caloraça que vocês nem imaginam! Se Satanás andasse por estas paragens estava farto de transpirar... E não, não fugi para os trópicos, não... É Trás-Os-Montes, mesmo...