Parece
existir uma luz acesa, do outro lado daquela porta. Notam-se os rasgos de
claridade, recortados por entre as sombras de tudo o que ela encontra e
atravessa pelo caminho. É uma luz estática, quase cadente, mas que ainda assim
se lança em distância e em plano, que dobra contornos e cruza paralelos,
fugitiva permanecendo em cativeiro, sujeita à barreira torcionária da velha
madeira de uma porta. Desperta e encaminha, ofusca e confunde. Uma chave ausente
é tudo o que separa a consciência da luz e a sua percepção. O seu propósito ou
o seu fim.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
o baile nunca acaba
“During that period, it was like going to a costume party and coming home without changing. I really became a character in my own story. I’d go out at night, get drunk, fall asleep underneath a car. Come home with leaves in my hair, grease on the side of my face, stumble into the kitchen, bang my head on the piano and somehow chronicle my own demise and the parade of horribles that lived next door.” (T. Waits)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
já estiveste aqui
Sabes que já estiveste aqui antes, és capaz de o sentir e estarias capaz de o jurar, se não fosse pelo desconforto que continua a roçar-te na pele, aquela sensação familiar de quem mergulha sem saber muito bem onde fica sem pé.
Sabes
que já aqui estiveste antes, mas não te lembras do que tiveste que fazer para
avançar e deixar tudo para trás. Já nem sabes quanto tempo aqui permaneceste. Não
te lembras se estás num destino ou numa paragem. Um apeadeiro no tempo? Aí
quase não tens tempo para nada. Nem sabes exactamente para que precisas de
tanto tempo. Para a paragem ou para o destino? Não será também cada uma dessas
paragens um pequeno destino para alguém? Talvez não seja o teu, aquele que
procuras, aquele que desejas. Mas pode ser o do nome que está ao teu lado. Não
és o único que deseja. Ainda que possas viajar sozinho.
O
desejo tem muitas caras e vive em muitos destinos diferentes. Responde também
por diversos nomes. Comporta-se como um criminoso em fuga, um passo à nossa
frente. O seu grande crime é levar-nos a acreditar que encontraremos ainda mais
do que procuramos no próximo destino, mas nunca nos revela que o que deixamos
para trás jamais voltará a ter o mesmo sabor. Maldito seja.
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