quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

dá-me com o teu chicote do amor

E cá está! Adornado com o título mais duvidoso que podia ter escolhido para isto, a recordação para o tema que talvez tenha feito dos Devo deuses do seu tempo! Isto para alguns, meus amigos, que isto dos gostos musicais é tudo muito duvidoso e não tarda nada aparece por aí alguém a dizer "não, não, que os tipos nunca prestaram para nada e tal e coiso e os Sisters Of Mercy é que são bons e blá blá blá..."! Para mim são prato cheio!
Foi após ter recordado este 'Whip It' que cheguei à conclusão do sucesso que poderia ter feito no passado Carnaval, se ao menos me tivesse lembrado a tempo dos originais uniformes e adereços utilizados ao longo dos anos pelos Devo! Mas, provavelmente, teria passado mais de metade do tempo a explicar-me acerca da fantasia que envergava, porque normalmente é o que se passa com alguém que não se fantasia de fantasma, vampiro, prostituta ou marinheiro! Segundo alguns estudos, também pode acontecer com algumas fantasias de hare krishna que, talvez para despistar as mentes mais atentas, adicionam ao ensemble fartas cabeleiras encaracoladamente louras, óculos-com-olhos-de-mola (o que quer que isto seja) e túnicas de cor pastel... Diz que sim...


Devo - whip it

rise of the blue madness

Pronto, pronto... Já alterei o videozeco do post anterior, depois de me aperceber que uma ou duas pessoas não o conseguiam ver. Bom, na verdade foi só uma, que isto não tem assim tanto leitor assíduo quanto isso, o que, de certa forma, até faz sentido. Se o escriba não faz da assiduidade uma das suas virtudes mais fortes, porque razão o faria quem com isto substitui a leitura diária de, digamos, um Borda d'Água, por exemplo?
Bom, mas seguindo nesta maré azul que nos últimos dias tem preenchido o meu dia-a-dia com as suas notas musicais e brincadeiras com instrumentos feitos a partir de PVC (o que poderia dizer muita coisa a um leitor mais incauto e com uma mente mais criativa que a minha), fica aqui uma muito bem conseguida colaboração (na opinião deste escriba), entre o talento dos The Blue Man Group e a voz do senhor Dave Matthews, singela peça de música que faz parte de 'The Complex' e que foi o primeiro video-clip oficial do projecto, que, no presente exercício, substitui a minha vontade de lembrar os Devo, que voltei a ouvir depois da pequena homenagem oferecida no início de 'I Feel Love'... Fica para depois...


The Blue Man Group w/ Dave Matthews - sing along

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

I feel love

The Blue Man Group: excelente música, excelente sentido de humor, excelente espectáculo! Podia continuar este exercício e listar tudo o que me faz apreciar este conceito, mas não o vou fazer. Vou apenas deixar uma amostra de um espectáculo dos homens de azul e confiar no vosso bom gosto e curiosidade para tentar saber mais! Digo apenas como adenda que a moçoila que canta este tema se chama Annette Strean e é vocalista de uma banda intitulada Venus Hum, que abriu os concertos dos The Blue Man Group durante a 'The Complex Tour'...

kiss me, oh kiss me

Este post deve ser lido ao som deste tema:



Pronto... A pedido de muitas famílias, ou melhor, da minha, mais precisamente, pelas palavras de Cassamia (cujo casa podem visitar aqui), vi-me levado a deixar aqui algo acerca deste dia, que hoje ouvi apelidar na rádio como o 'dia mais piroso do ano', esse tal dia de São Valentim...
Não estava no meu programa de festas elaborar qualquer tipo de post nestes dias, até porque tenho sido acossado pela doença, seja ela qualquer for, e as minhas principais preocupações neste últimos dias têm sido algo do género 'o meu reino por uma cama, todo o meu reino por uma canja'! É verdade... Para além das consequências naturais de uma vulgar gripe, tenho sido alvo de dores corporais dignas de um dos maiores ataques de efeitos segundários menstruais de que há memória! Mesmo para quem diga 'como podes tu saber?', eu digo: vocês sabem lá o que tenho sofrido nestes últimos dias... Pois para quem não imagina, eu descrevo... Imaginem um ser semelhante ao Corcunda de NotreDame, uma vez que as dores têm sido de tal ordem que me impediram de caminhar como um Homo Sapiens, a quem tenham oferecido um tratamento intensivo de pauladas nos rins (sim, nos dois) e que passa nesse momento por dores idênticas às de quem está prestes a dar à luz, sem qualquer tipo de epidural... Sim, eu estive a sofrer... Mas já passou! Pelo menos a parte das dores, porque os efeitos da gripe ainda permanecem. Vocês sabem, o costume. A quantidade de muco suficiente para enojar um necrófilo a entupir-me as vias respiratórias e a sensação de que estou a comunicar com o mundo em mono, dado que não consigo ouvir em condições aceitáveis e quando falo sinto-me como uma marioneta dos Marretas, com aquelas vozes estupidamente alteradas...
Mas foi mais um dia de São Valentim que passou e isso é um facto... Desta vez, ao contrário do que costumo fazer, que é ficar em casa e evitar ao máximo todas aquelas criaturas fofas que são os casais de namorados e que nos conseguem levar aos extremos da paciência com os 'fofinhos' e 'princesas' e 'xuxus', decidi aceitar o convite de um grupo de encalhados como eu (leia-se: pessoal sem namorados/as) e fui jantar fora com toda aquela pandilha! Um serão diferente para a época, pensei com os meus botões... Mas um jantar de grupo é sempre um jantar de grupo. Um dos pontos imperativos é a presença de alcool na mesa, que alegra sempre uma reunião, seja ela um baptizado, um funeral ou um jantar de encalhados e mais do que isso, sempre ajuda a desbloquear muitas conversas e fazer do indivíduo mais tímido do grupo a alma e coração da animação presente...
O jantar em si assemelhou-se mais a uma ceia, dado o adiantado da hora a que a comida começou a aflorar a mesa, mas ainda assim foi uma animada confraternização. Não percebi muito bem as constantes faltas de energia que tornaram o local num antro de escuridão por diversas vezes, mas talvez fosse uma forma de fazer com que os convivas se tornassem mais íntimos entre si. Azar dos meus azares, estava sentado entre homens. Nada contra os apreciadores, mas não é bem o meu desporto de eleição...
No fundo, todos sentiam uma espécie de amargura por não terem neste dia uma cara metade com quem partilhar a data (apesar de ninguém o querer admitir) mas, por outro lado, muitas dúvidas haviam no ar acerca do sentido de todo este dia, uma vez que em conversas com os abonados que se encontram no auge das suas relações, logo, com companhia para um jantar a dois, chegámos à conclusão que esses abonados nos invejaram o facto de fazermos o tal jantar com toda a gente reunida. Os encalhados fizeram inveja aos relacionados. Vá-se lá perceber estes humanos...
A minha opinião pessoal, ainda que não pedida por ninguém, mas que eu registo na mesma, apenas porque sim, é que esta data já está mais do que possuída pelas garras do consumismo. A sério... Precisamos mesmo de um dia específico para celebrar a nossa relação com outra pessoa? A não ser que eu seja um romântico inveterado e com o prazo de validade expirado, todos os dias são dias de celebração para uma relação e não existe qualquer necessidade um dia especial para que tenha que 'oferecer flores' ou 'aquele presente especial'... Mas, como já disse, se calhar, até sou eu que estou ultrapassado no meio disto tudo e, apesar de considerar o dia demasiado dado a consumismos, acho ainda assim que é muito melhor passar a data com aquele alguém que esteja mais perto de ser a nossa cara metade... Mas eu nestas coisas sou um bocado antiquado...
É verdade, escolhi "Kiss Me, Oh Kiss Me" porque acho uma música fenomenal e o David não é tão mau assim, apesar de eu ter escrito estas palavras ao som disto! (quem se lembraria de associar o nome Impaled Nazarene ao dia dos namorados?)
E para todas vocês crianças, um Feliz Dia de São Valentim!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

talk of the town

Uma nova esperança nasceu para mim naquele palco, como uma centelha a indicar-me toda uma míriade de possibilidades... Bolas, se ele conseguiu, talvez eu consiga também fazer com que o meu corpo desarticulado se assemelhe a um dançarino, ainda que de qualidade duvidosa, no momento em que for convocado para assumir o centro da pista! Tudo com um pouco de treino intensivo e uma enorme dose de boa vontade... Alunos de Apolo, aí vou eu!
Você é grande, Sr. Markl!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

aviso à monarquia

Acabou-se o Reinado...

este link é capaz de ter algum interesse
Na realidade, nem dá para saber muito bem... Pela descoloração da face até pode ser uma testemunha da Casa Pia a brincar aos camuflados...
Lição a reter: pessoas não matam pessoas, balas é que matam pessoas!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

holidays in the sun


Quase que chorava de alegria, que nem uma garota de 12 anos, quando soube que era verdade... SEX PISTOLS no Festival Paredes de Coura, no dia 31 de Julho de 2008!!

sonhos e vida: Randy Pausch


Deixem-me dizer-vos uma coisa... Também tenho momentos de lucidez e de reflexão, para além das tolices que habitualmente costumo deixar cair por aqui. Também olho para o mundo e para a vida para além do nariz vermelho de palhaço que utilizo para me proteger do peso da maturidade que devia ser mandatória da idade. Também espreito e quero descobrir mais para além do entretenimento fugaz e banal do quotidiano. Não ofereço as costas ao potencial do crescimento interior e da inspiração através do exemplo de outros. Todos nós somos muito mais que a pele que vestimos...
Deixem-me oferecer-vos algo para vossa reflexão, na forma de um nome e de uma lição de vida dada pelo portador dessa insígnia, Randy Pausch!

Randy Pausch é professor na Carnegie Mellon University, onde dá aulas de Ciências de Computadores, Interacção Humana-Computador e Design. Em Novembro de 2006 foi-lhe diagnosticado um cancro pancreático terminal, que se traduziu em aproximadamente dez (10) tumores ao redor do fígado! Os médicos deram-lhe entre 3 a 6 meses de boa saúde. Randy Pausch ainda continua a sua luta contra a doença.
A universidade onde ensina, promoveu durante um determinado período de tempo uma série de palestras, oferecidas por diversos professores e académicos, onde lhes era pedido que oferecessem uma dissertação acerca da sua vida e da sua importância a todos os níveis. Pessoal e profissional. A palestra deveria ser interpretada como a hipotética última hipótese conhecida para falar para um público e deixar algo importante de si para o futuro. O que diriam esses académicos? Sobre o que falariam? Era essa a premissa...

Randy Pauch ofereceu a sua última palestra neste formato no dia 18 de Setembro de 2007... Uma peça de inspiração em que fala um pouco sobre tudo, desde a infância e os seus sonhos, a carreira profissional, os seus pais, professores, alunos e colegas! Utiliza o humor como ponte entre o público que o escuta com atenção, vai uma ou outra vez beber um pouco do poço da emoção pela recordação de determinadas palavras trocadas com outros que o inspiraram! Conta histórias como um menestrel moderno...
Encontrei o grosso desta palestra (sem as introduções e posteriores palavras de colegas), ao acaso, sem saber muito bem o que me preparava para ver, mas não descolei os olhos do monitor durante todos os quase 76 minutos! Apreciei como pode ser possível concretizar, se não todos, pelo menos alguns dos seus sonhos de criança; as lições de humildade que os seus pais lhe ofereceram (o pai foi um herói medalhado na Segunda Guerra Mundial, mas a família, incluíndo a esposa, só descobriu aquando da sua morte!) e o momento emotivo, em plena palestra, que Randy oferece uma surpresa à sua esposa, que se encontra na audiência, isto para não falar na forma como ele destaca os verdadeiros destinatários de toda a dissertação... Muito bom, como podem constatar por esta pequena amostra, uma peça elaborada pelo Wall Street Journal:


No seu website (irónicamente simples para um especialista em computadores), podem-se encontrar algumas informações e links, para fundações como a Lustgarten Foundation e a Pancreatic Cancer Action Network! Destaco o espaço onde nos dá conta da evolução do seu estado de saúde e da sua batalha contra o cancro, com todos os avanços e recuos, mas mais do que tudo, aconselho a todos uma experiência com o vídeo...

Eis alguns links disponíveis:

Randy Pausch Website - www.cs.cmu.edu/~pausch

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

I've got dreams to remember


Haverá por aí alguém que saiba interpretar sonhos e explicar as suas frequentes repetições? É que já ando a ficar um pouco saturado de ser o único rapaz do secundário a aparecer na escola de cuecas...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

não te encostes a mim


Estou a fazer aqui um forte apelo a tudo quanto seja rádio a emitir em território nacional, hipermercado com porta aberta e música ambiente, qualquer indíviduo que possua um telemóvel com toques reais ou que goste de andar a cantarolar pelas ruas! Por favor! Por favor! Acabem lá com essa história de quererem arruinar o apreço que tenho pela música e carreira de Jorge Palma e comecem a tocar outro tema que não se intitule “Encosta-te a mim”! Não há paciência para tanto! Vocês têm noção que os discos do senhor Palma têm mais canções para além dessa, não têm? Arre!!

wake me up before you go-go!


Tenho uma relação com os despertadores idêntica à que existia, quando éramos mais pequenos, com os nossos pais, com os trabalhos de casa e as orelhas calcadas quando demorávamos muito tempo a ir fazer os trabalhos de casa. Se não sabem o que é uma orelha calcada, imaginem as costas da mão de um dos vossos pais, a viajar à velocidade da luz, em plena rota de colisão com uma das vossas cartilagens! Imaginem a dimensão do dano que isso pode causar! Também no que ao ego diz respeito, mas principalmente nos ditos abanos...
Eu sou assim com os despertadores. Por mais que me digam repetidamente que tenho que me levantar, que ainda há um duche para ser tomado, um pequeno-almoço para comer e algumas notícias para ler, fico sempre à espera de levar aquele ‘acalco de orelha’, que é como quem diz, olhar para as horas e compreender que devia estar no emprego à 20 minutos quando ainda estou a abrigar-me debaixo do lençol...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

quando o carnaval acontece


Está a acontecer novamente. Tal como aconteceu no ano anterior e estará novamente a acontecer entre nós no vindouro. Essa festança brava, essa overdose de folia e boa disposição, esse nunca acabar de bailaricos e fantasias, essa tradição pagã em que a lei que governa é a do “é carnaval ninguém leva a mal”!
Vamos com calma. A situação não é tão linear assim. Em primeiro lugar, eu levo a mal que ninguém me saiba explicar de onde surgiu esta apetência para que, durante pelo menos três dias e noites, homens adultos se vistam de varinas, enfermeiras, bailarinas e princesas, enquanto dançam alegremente pelas ruas cantando “oooh meu amigo Charlie Brown!!”. Estas são as mesmas pessoas que durante o resto do ano estão em casa, com o fundilho das calças completamente cosido à poltrona, tecendo pragas aos travestis dos musicais da Revista e vaticinando o fuzilamento de todos os homossexuais que participem na anual Love Parade, apenas efectuando o esforço de sair dos limites da sala para fazer estalar a cara do seu petiz de seis anos, que brinca sozinho no quarto com o seu amigo imaginário... Levo também um pouco a mal que ninguém me saiba explicar porque razão durante estes dias existe tanta alegria e boa disposição, tanto sorriso e brincadeira, que me dá a sensação que todo o país se encontra no meio de uma experiência ácida colectiva. Todos tomaram o mesmo número de comprimidos. Ao mesmo tempo. Eram todos da mesma cor...
Mas existem festas porreiraças e fantasias bem conseguidas. Há quem tenha a imaginação suficiente para cozinhar uma máscara original, uma fantasia divertida, uma caraça, como me lembro de dizer quando era um puto irritante a querer brincar ao carnaval... Lembro-me de algumas que me fizeram soltar umas valentes gargalhadas devido à sua criatividade, no entanto, existem umas que me espantam pela sua completa falta de contexto e sentido.
Tenho, então, esse enorme fascínio por um determinado tipo de mascarados, mais propriamente, um tipo de máscara a que me habituei tratar por Terrorista Pastor! É verdade! Certamente já tiveram oportunidade de se cruzarem com eles, são os tipos que primam por se vestir como se tivessem acabado de gravar o vídeo de despedida para a família que vive em Gaza e fossem agora estourar com um autocarro israelita ou o que seja que esses indivíduos apreciam estourar para passar um tempo divertido. No entanto, estes terroristas mascarados trazem com eles um pormenor delicioso: uma vara de pastor!
Eles andam por aí aos bandos, aos pares ou em voos solitários, com movimentos a lembrar criaturas com fortes desordens do foro psicológico, ora em absoluto silêncio, ora comunicando através de grunhos e vocábulos monossilábicos para que, ao que parece, ninguém os consiga reconhecer... Mas não posso deixar de pensar com os meus botões: porquê? O que leva uma pessoa adulta a escolher fantasiar-se de Terrorista Pastor? Será que as opções estavam entre isso e a Varina De Bigode? O que pastoreia um terrorista? Serão membros da Frente Esquerdista para a Libertação e Independência do Pasto Aberto?
Eu questiono-me, em que mente brilhante terá surgido esta combinação inesperada? Imagino quem terá juntado estas pontas soltas na sua mente: “olha que está bem visto, se arranjar um fato-macaco pesado, de preferência bastante sujo, com alguma substância viscosa para parecer ainda mais real e as pessoas não se aproximarem de mim; umas botas pesadas, de algum mineiro distraído ou de um lavrador que esteja de folga, com umas meias grossas e de uma cor garrida, para que a fermentação dos fungos possa correr de feição e o cheiro se propague de uma forma eficaz; podia também colocar uma almofada na barriga, para todos pensarem que sou mais gordo do que na realidade e para que a temperatura do meu corpo aumente de forma dramática, fazendo assim com que o meu desconforto seja cada vez maior; já agora, porque não meter um gorro na cabeça, apenas com uns pequenos orifícios para os olhos e para a boca, para que o meu crâneo comece a ferver ao ponto de derreter os meus olhos; podia também colocar uma máscara em cima disto tudo, para que a minha visão seja ainda mais dificultada e para que me seja praticamente impossível beber um copo que seja ou fumar um cigarro relaxante, (onde os dísticos da ASAE me permitirem), tornando-me assim, a cada segundo que passe, uma pessoa mais desidratada e irritante, não vá o diabo tecê-las e alguém reconhecer as minhas feições... Mas ainda assim, as pessoas podem desconfiar de quem eu seja... Já sei, não vou falar durante toda a noite, para que não reconheçam a minha voz e conseguir assim ganhar aquela reputação do mascarado mais anti-social da festa; posso também dançar e mexer-me como se tivesse sido atingido na espinha dorsal por um inter-cidades ou um daqueles TGV’s modernos! Isto sim é que é uma fantasia! Isto sim é que vai ser divertimento! Não me quero gabar, mas isto está uma máscara dos diabos! Eh pá, sabem o que é que ficava a matar com isto tudo...? Uma vara de pastor!”

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

que nunca me torne surdo


Quando digo estas palavras faço quase sempre figas, pois tenho um receio desgraçado que isto me venha a acontecer um dia! É um daqueles medos que nos pode atormentar de uma forma, podemos dizê-lo, a roçar o desagradável...
Tenho um apreço enorme por este sentido, pelo prazer que me proporciona a cada dia que passa, em todos quantos já passaram e por todos aqueles que, eu sei, me vai ainda oferecer. Sem ele, mais do que não ouvir o indicador sonoro de uma passagem de nível sem guarda, seria impossibilitado de ouvir toda a música que ouço e toda aquela que espero ter oportunidade de escutar. É um apanágio meu. Quem priva comigo sabe disso. Gosto de ouvir música como se a minha vida dependesse disso. Mesmo quando não se está a ouvir música, eu ouço-a, pois tenho uma velha grafonola metida no crâneo, que nunca se cansa, nunca se gasta e está sempre a tocar um disco qualquer ou uma musiquinha porreiraça! Foi um bom negócio. Fiquei com ela em troca de uns neurónios que já não me faziam falta. Acho que foram aqueles que nos fazem compreender cálculos matemáticos e outras matérias semelhantes. Não me recordo muito bem...
Durante um determinado período quase arruinei por completo esta capacidade, este imprescindível sentido. Tinha a mania que era músico. Comecei por vestir a pele de pseudo vocalista. Mas não sabia cantar. Ainda hoje não sei. Mas sei grunhir que nem uma besta selvagem e era isso que se pedia. Então, eu grunhia! Mas nunca protegi os tímpanos, pois achava que não havia necessidade de estar em palco com umas borrachinhas nas orelhas que, apesar de me poderem proteger de possíveis danos irreversíves, me faziam sentir como um velhote debilitado, pois na verdade, não ouvia grande coisa do que se passava à minha volta! Depois veio a fase da guitarra, que nunca soube tocar mas onde fazia uns acordes de travessão que eram uma maravilha. Depois o baixo ou o bass guitar como dizem os entendidos. Eu é que nunca fui um entendido nessas coisas de tocar instrumentos. Mas fazia parte de uma banda (várias, na verdade), isso é que era importante. Mas por entre ensaios e concertos, amplificadores e berros, nunca meti na cabeça (literalmente) aquelas borrachinhas protectoras. Hoje em dia estou arrependido de não o ter feito, pois esta minha atitude impensada trouxe-me como recompensa o inevitável e completamente desnecessário apito constante, ou seja, tal como um bom carteiro, faça sol ou faça chuva, calor ou muito frio, na minha cabeça e nos meus ouvidos ouço sempre o anunciar do meio-dia de uma fábrica qualquer ou, em alternativa, uma sirene de alarme de um quartel de bombeiros. Constantemente. Desde há anos a esta parte. Todos os segundos desses anos! Caramba! Mas não estou a ficar surdo. Bom, não mais do que qualquer outra pessoa. Mas isto irrita um pouco. A música ajuda-me a aliviar esta condição.
Todo este palrar que aqui deixo surgiu-me devido a uma canção que descobri recentemente, graças à amabilidade deste blog (ou será blogue?), que a partilhou no seu formato video. Já tinha travado conhecimento com a parte visual, não me recordo exactamente onde, mas lembro-me que não tive oportunidade de conhecer o som que a acompanhava. Agora tive. Ainda bem. Tornei-me consumidor. Se por algum motivo me tivesse tornado surdo no passado, não teria tido a oportunidade de ser apresentado à voz de Yael Naim. Medo. Em defesa de toda a música que me faz respirar, espero que nunca me torne surdo!

Yael Naim - new soul