“A grandiloquente pop electrónica de ZOLA JESUS, alicerçada na sua exuberante capacidade vocal e nos seus refinados dotes de composição, fará a sua aguardada estreia na cidade do Porto. O seu mais recente álbum, Taiga, considerado por muita da imprensa especializada como o melhor trabalho de uma carreira que tem, desde o início, delineado e expandido as fronteiras da pop, estará em apresentação num concerto em que poderemos também contar com selecções de toda a sua acarinhada discografia. O concerto está marcado para o dia 1 de Novembro, data em que a cantora norte-americana, acompanhada pela sua banda, subirá ao palco do Maus Hábitos.”
...Este Poderoso Cajado...
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
sábado, 18 de julho de 2015
[ver] MIURA não escrevem cartas de amor
Dizem
os MIURA que gostam de abordar
o amor em si e tudo o que ele consigo arrasta. No seu EP de estreia intitulado
“Ninguém Escreve Cartas de Amor”, a banda da Figueira da Foz fala na ausência, na distância, de tudo aquilo que
poderia ter sido dito e feito e não o foi. Falam do tempo que não pára, das
amizades perdidas e da alegria de as voltar a encontrar. Da angústia de estar
longe, da saudade mas também daquela sensação de voltar. Podem não escrever
cartas de amor, mas falam sobre o tema com a temperatura de quem o vive.
A
banda tem um novo guitarrista, encarnado na pele de Ivo Gil, que será
apresentado oficialmente no próximo concerto que terá lugar no dia 31 de Julho,
nas Festas da Guia (Guia).
E
enquanto o novo video dos MIURA não sai (encontra-se em fase de produção),
podemos recordar o tema-título do EP “Já Ninguém Escreve Cartas de Amor”...
[ouvir] O segundo single de MANCINES chama-se ‘I Can See’
Os MANCINES
são uma banda de Coimbra, composta por Raquel Ralha (Wraygunn, Belle Chase
Hotel, Azembla's Quartet), Toni Fortuna (D3o, Tédio Boys, M'as Foice), Pedro
Renato (Belle Chase Hotel, Azembla's Quartet) e Gonçalo Rui.
O
disco de estreia deste projecto chama-se “Eden’s Inferno” e dele tinha sido já
retirado um primeiro avanço, ‘Time’ (ver videoclip aqui),
aquele que inicialmente deu a conhecer MANCINES ao mundo. Agora chega a vez de
ser conhecido o segundo single, intitulado ‘I Can See’ e que pode ser visto e
ouvido ali em baixo, num registo captado na estreia ao vivo, no Teatro da
Trindade (Lisboa):
[ouvir] O novo “Asteroid” dos MESA é o prenúncio para o que chegará no Outono
Depois
de termos sido apresentados aos “Pés Que Sonham Ser Cabeças”, o album editado
em 2013, os MESA preparam o regresso
com um novo disco a ser lançado em pleno Outono. O primeiro single chama-se
‘Asteroid’ e podem ouvi-lo aqui em baixo:
segunda-feira, 6 de julho de 2015
[agenda] GUN regressam a Lisboa em Novembro
“Se
recuarmos uns anos, não é difícil compreender o fenómeno. Em 1989, o hair metal
estava já numa fase terminal e o grunge começava a dar os primeiros passos.
Formado uns anos antes em Glasgow, o quinteto liderado pelos irmãos Gizzi
deu-se a conhecer ao público nesse ano e, de um momento para o outro, tomou de
assalto as ondas radiofónicas com o single «Better Days». Injetando sangue novo
à tradição do rock clássico, com os seus blusões de cabedal, calças de ganga e
botas de motoqueiro, os GUN revelaram desde cedo uma atitude terra-a-terra, que
os tornou adorados imediatamente. Apesar da tenra idade de alguns membros –
Dante Gizzi tinha apenas 15 anos quando a banda foi formada em 1987 –, a versão
contemporânea do rock autêntico que os caracterizou desde o início deu-lhes uma
vantagem clara sobre seus pares na viragem da década de 80 para a de 90. Num
rápido piscar de olhos transformaram-se num verdadeiro fenómeno à escala
global, assente em singles orelhudos como a estreia «Better Days», «Inside
Out», «Money (Everybody Loves Her)», «Taking On The World», «Steal Your Fire»,
«Shame On You», «Word Up!», «The Only One» ou «Something Worthwhile», entre
outros.”
Em
1997 os escoceses decidiram colocar um ponto final na sua carreira. Mas não sem
antes darem alguns concertos de despedida. Em 1998, perante um Paradise Garage
completamente esgotado, o quinteto liderado pelos irmãos Gizzi protagonizou
dois concertos apoteóticos. Duas noites de rock'n'roll suado e contagiante, que
a banda escocesa espera vir agora a repetir no próximo dia 06 de Novembro!
‘Dá-me a Mão’ é o que pedem os MELHOR AMIGO no seu primeiro single
Acerca
dos MELHOR AMIGO, a
Preguiça Magazine rabisca as seguintes palavras: "Uma dose de humor
subversivo e outra de poesia bruta e temos a receita para canções românticas
pós anos 80, com assombrações de Jay Jay Johanson, existencialismo urbano em
roupagem pop e letras que falam de imortais que não têm onde cair mortos."
Os
MELHOR AMIGO são Gui Garrido e António Pedro Lopes, dois artistas performáticos
que se entregaram ao vício das canções quando os calendários ainda marcavam
2008. No início de tudo, a premissa passou por recriar temas dos Velvet
Underground, Moldy Peaches e Sinéad O'Connor por entre ambientes de
stage-diving e cabarets. Dizem agora que não conseguem escapar aos pianos e às
guitarras para fazer canções pontuadas pela voz profunda de António e pelo
canto das viagens e dos amores experimentais.
O
primeiro EP deste projecto saiu este ano, com um título homónimo, e o single
que precedeu a sua chegada tem por título ‘Dá-me a Mão’. O video, realizado por
Gui Garrido e Cláudia Batalhão, roda ali em baixo...
FELIPE NUNES (Vitrola Sintética) anda por Lisboa
Felipe
Antunes,
originário do Brasil, é voz e viola em Vitrola Sintética.
Nascido a 11 de Abril de 1983, o cantor e compositor brasileiro chega aos 32
anos, em 2015, com três discos lançados com a banda Vitrola Sintética (“Sintético”,
de 2015, “Expassos”, de 2013 e “Notícias”, de 2009) onde, além de ser a voz
principal, é responsável pela maioria das composições da banda.Durante o mês de
Julho está por Portugal para apresentar o terceiro disco deste projeto. Para a
tour de promoção do álbum “Sintético”, o músico apresenta-se sozinho ao vivo,
aproveitando também para mostrar alguns temas do seu álbum a solo.
Podem
ainda apanhá-lo numa destas datas:
11/07
- Fnac Almada | Lisboa
12/07 -
Fnac Oeiras | Lisboa (participação de Bárbara Eugênia)sábado, 4 de julho de 2015
press play to start again
Habituados que estamos a ritmos mais ou menos descartáveis, preenchidos com conteúdos de validade muito curta, não deixa de me surpreender a forma como não me conseguem fluir as despedidas para espaços como o Cajado, o quase-primogénito deixado ao abandono ou, pelo menos, o que resta daquela primeira ninhada de ideias primogénitas formadas nos entrefolhos encefálicos e que acabaram por caminhar por si próprias.
Aqui foi ficando, relicário de espasmos nervosos em forma de letra e testemunha de várias tentativas de ir encontro à sanidade ainda que de uma forma menos clara ou objectiva. Quase dado como perdido para a existência, sublinhada condição pela sua ausência em pensamentos presentes ou planos futuros, resolve-se agora oferecer-lhe novo folego, novos conteúdos e as inevitáveis danças com os fantasmas dos conteúdos passados. Na verdade, o conceito por trás desta decisão é bastante simples: para quê abrir as portas de um novo quintal, quando nos basta aparar as ervas deste?
Deixemos então crescer aqui novas verduras, sejam elas de teor cultural, ocioso ou meras tolices imberbes, tudo quanto possam ser frutos sumarentos que tantas e tantas vezes vão surgindo na inbox. Ergue-se de novo o Cajado. O Poderoso.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
claridade
Parece
existir uma luz acesa, do outro lado daquela porta. Notam-se os rasgos de
claridade, recortados por entre as sombras de tudo o que ela encontra e
atravessa pelo caminho. É uma luz estática, quase cadente, mas que ainda assim
se lança em distância e em plano, que dobra contornos e cruza paralelos,
fugitiva permanecendo em cativeiro, sujeita à barreira torcionária da velha
madeira de uma porta. Desperta e encaminha, ofusca e confunde. Uma chave ausente
é tudo o que separa a consciência da luz e a sua percepção. O seu propósito ou
o seu fim.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
o baile nunca acaba
“During that period, it was like going to a costume party and coming home without changing. I really became a character in my own story. I’d go out at night, get drunk, fall asleep underneath a car. Come home with leaves in my hair, grease on the side of my face, stumble into the kitchen, bang my head on the piano and somehow chronicle my own demise and the parade of horribles that lived next door.” (T. Waits)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
já estiveste aqui
Sabes que já estiveste aqui antes, és capaz de o sentir e estarias capaz de o jurar, se não fosse pelo desconforto que continua a roçar-te na pele, aquela sensação familiar de quem mergulha sem saber muito bem onde fica sem pé.
Sabes
que já aqui estiveste antes, mas não te lembras do que tiveste que fazer para
avançar e deixar tudo para trás. Já nem sabes quanto tempo aqui permaneceste. Não
te lembras se estás num destino ou numa paragem. Um apeadeiro no tempo? Aí
quase não tens tempo para nada. Nem sabes exactamente para que precisas de
tanto tempo. Para a paragem ou para o destino? Não será também cada uma dessas
paragens um pequeno destino para alguém? Talvez não seja o teu, aquele que
procuras, aquele que desejas. Mas pode ser o do nome que está ao teu lado. Não
és o único que deseja. Ainda que possas viajar sozinho.
O
desejo tem muitas caras e vive em muitos destinos diferentes. Responde também
por diversos nomes. Comporta-se como um criminoso em fuga, um passo à nossa
frente. O seu grande crime é levar-nos a acreditar que encontraremos ainda mais
do que procuramos no próximo destino, mas nunca nos revela que o que deixamos
para trás jamais voltará a ter o mesmo sabor. Maldito seja.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
mommy, can I go out and kill tonight?

"A Religião é o ópio do povo": penso que foi um senhor de idade que disse, um que escreveu umas coisas que outros senhores de idade e pessoas mais jovens que eles ainda gostam de ler e citar, pessoas das utopias e dos mundos mais justos e da reforma agrária e da casa feita de doces e dos grilos falantes e das princesas e dos sapos! Espera, das princesas não, que devem estar incluídas no pacote da burguesia abastada e o proletariado certamente não iria gostar disso...
Adiante...
Dizia-se no início que "o futebol é o ópio do povo" (cheguem-se à frente e acompanhem o raciocínio)! Um cabaz de Natal antecipado aos nuestros hermanos e está tudo bem outra vez, não é verdade? A crise deixou de estar presente, a cimeira da NATO já não vem deixar mais prejuízo que lucro, o senhor primeiro-ministro continua a ser o senhor primeiro-ministro e a oposição que temos continua a ser uma das coisas mais ridículas desde os tempos do Croquete & Batatinha! O desemprego desapareceu, os salários aumentaram, os juros estão baixinhos e o IVA não está a meter-nos a mão no bolso todos os dias... Bastaram quatro golinhos num jogo amigável com os espanhóis! Ah se o governo se tem lembrado disto antes...
Como somos pequeninos, fomos logo a correr ver o que os outros países disseram sobre este nosso grande feito, o de golear a selecção campeã do Mundo e da Europa! Gostamos tanto de ver as outras pessoas a falar bem de nós! Mesmo que só tenhamos ganho um jogo particular, mas há que aproveitar todas as oportunidades para embandeirar em arco e fazer marchas de vitória e compilações de melhores momentos em vídeo para mais tarde recordar! Sim, gerações atrás de gerações vão recordar o dia em que ganhámos aos malditos espanhóis! Sim, porque apesar de tudo, eles continuam a ser os Campeões do Mundo e da Europa e nós... bem... nós demos 7-0 à Coreia do Norte no último Mundial, não foi?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
where do we go from here?

Malditos sejam os sonhos! Maldita seja a capacidade de sonhar! O mundo dos sonhos devia ter consumo mínimo obrigatório ou, no mínimo, devia ser posto em prática o conceito de admissão reservada à gerência, para que apenas alguns sonhos conseguissem lá entrar, em vez da pouca vergonha que é agora, em que qualquer sonho lá entra e começa a gerar mau ambiente! Malditos sejam os despertares! Maldito seja o vício nefasto de todo o despertar que traz com ele a impressão de quase todos os sonhos! Maldita seja a capacidade de sonhar... O grande problema está no prazer de sonhar e o grande pontapé nos testículos está no facto do mundo dos sonhos ser um daqueles lugares em que não existe carimbo na mão, para se ir lá fora fumar um cigarro e levar um sonho connosco para o mundo real para nos dar lume... Maldito seja o mundo dos sonhos!
domingo, 14 de novembro de 2010
the devil dances inside empty pockets
Todos os silêncios deviam ser preenchidos com música. Em todos os momentos de espera deviam existir projecções de curtas-metragens ou épicos históricos, conforme o queimar dos segundos de desperdício. Todos os desperdícios mereciam uma segunda oportunidade. Com cada nascimento deveria ser entregue uma rede de malha fina, para se não se desperdiçar nenhuma oportunidade. Esta devia ser uma prática mandatória, ao contrário das outras práticas mandatórias com que o viver nos imunda. Não é gralha. Imundice. Não existe sabão azul e branco suficiente para nos imacular a alma, nem vassoura de salgueiro suficientemente forte para nos apagar o rasto pérfido do desassossego. Nunca conheceremos o céu. Antes aproveitar o melhor do pequeno inferno que ajudamos a crescer todos os dias.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Luís de Matos lá do sítio, mas em bom!!
Confesso que deixei verter umas pinguinhas, enquanto estava a ver este video... sou um sentimental e esta música encaracola-me a espinha dorsal... mas tirando esse detalhe, o tipo tem cá umas mãos para esta coisa que é obra!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
diablo swing orchestra infralove making

Não há quem não aprecie um bom jogo de palavras. A entrega ao conhecido aspecto manhoso da língua portuguesa. Dizem que é muito traiçoeira. Dada a segundos sentidos e dúbias interpretações. Soa-me a personalidade feminina. Talvez tenha sido por isso que os antigos lhe atribuíram o género. A língua. Feminina. Traiçoeira. Manhosa.
Agora que chegámos à época em que a folha cai e a transpiração começa a dar lugar ao arrepio, não tardará que se comece a propagar o habitual "isto está bom é para estar com ele entalado"! Ah, aquele segundo sentido confortável que tanto gostamos! Com o corpo entalado nos lençóis devido ao frio que está, pois claro... Não sou praticante desta modalidade inofensiva, qual garoto traquina a dizer uma malandrice e a ficar corado com o declarado sentido duplo daquilo que acabou de dizer! Prefiro outros jogos de semântica! Quando digo que estava bem era "com ele entalado", na verdade, a ideia que estou a tentar transmitir é que existe uma sensação de conforto muito grande em ter-se um bom par de pernas femininas entrelaçado à volta da cintura, enquanto o constante vai-e-vem pélvico suaviza o ardor causado por dentes e unhas rasgando a pele! Mesmo que seja um par de pernas moderadamente bom, já gostaria de "estar com ele entalado"! Aos diabos com a convenção politicamente correcta! Mesmo que fossem umas pernas amputadas a meio da coxa, que pertencessem a uma pessoa que se deslocasse numa daquelas grades com rodinhas que os mecânicos utilizam para se meterem debaixo dos carros, eu certamente iria apreciar "estar com ele entalado"!
terça-feira, 5 de maio de 2009
foreclosure of a dream

Quando era um indivíduo folgado que dedicava algum do meu tempo à leitura, cruzei-me com um artigo, uma tese, uma teoria, seja o que bem for, que consumiu não só a minha atenção, como também o meu pensamento! O seu objecto de estudo era simples, apesar da complexidade do seu mundo e razão: os sonhos! Para ser mais específico, não só a capacidade individual possuída por todos nós de criar os sonhos que nos acompanham durante o sono mas, principalmente, a quase certeza de que sonhamos todas as noites invariavelmente, mesmo quando não temos qualquer memória de o ter feito! Para explicar esta parte da questão, os autores do referido texto (sinceramente já não recordo onde me cruzei com ele), utilizaram a analogia do gravador que ao longo da noite, em períodos de tempo completamente aleatórios, se vai ligando e desligando e assim gravando, ou não, os sonhos e pesadelos que nos ocorrem enquanto estamos de olhos fechados a tentar recuperar forças para o dia seguinte.
Tenho a perfeita noção que sonho com bastante frequência. Muitas vezes quando ainda estou acordado. Na verdade, muito do meu tempo é passado nesse exercício contemplativo de imaginação e magia pessoal, não que esteja continuamente a sonhar com o que possa não existir, mas sim a tentar compreender tudo aquilo com que me deparo quase todos os dias. Foi nisto que deu ser filho único com uma imaginação activa, uma mente inquisidora e largo acesso a uma boa dose de livros e muitos, muitos documentários! Ainda hoje continuo a alimentar este ser com a mesma ração de antigamente, se bem que tenho reduzido na dose de leituras recomendadas…
Para além dos inúmeros sonhos que tenho habitualmente, existem também bastantes pesadelos, como é óbvio. Se bem que, ligeiramente menos que verdadeiros pesadelos, acabam por ser mais parecidos com pequenos filmes de terror ou pequenos episódios de violência contida ou outros ainda que, à falta de melhor definição, são meramente estranhos mas que dariam uma boa curta-metragem para o David Lynch! Assim de repente, só para terem uma pequena ideia, tenho vagas memórias de um desses exemplos de bizarria, que incluiu um grupo de Leste com ligações ao crime organizado, mas que apenas pretendia uns trocos que houvesse à mão e uma boa oportunidade para dar umas gargalhadas, uma casa assombrada (inicialmente pelos amigos de Leste, mas depois por uma alma perdida e em forte carência de companhia) e palha! Uma imensidão de palha! Quantidade de palha suficiente para conseguir insinuar-se em locais da minha anatomia que eu julgava nunca sentir o que fosse a insinuar-se! De forma voluntária, pelo menos… Não consigo perceber o significado deste improvável ensemble, mas sinto a mesma dificuldade em entender muito do trabalho do senhor Lynch…
Por muitas ocasiões anteriores alimentei o desejo de que existisse uma forma de registar esses sonhos, como se o tal gravador da teoria fosse realmente palpável e estivesse instalado na mesa de cabeceira a meu lado, registando todas as aventuras em que Morpheu já me convidou a participar, todo o romance que experimentei enquanto a coberto daqueles lençóis de Inverno e que muitas vezes me fizeram despertar com uma sensação de humidade diferente do normal e, até mesmo, todas as ocasiões em que dei por mim em queda livre de alturas monstruosas, a tentar escapar a golpes de lâminas afiadas ou evitando que mulheres idosas semelhantes a feiticeiras me conseguissem morder as mãos enquanto corria nu por uma rua prestes a ficar deveras movimentada!
Não tenho o gravador. Não existe semelhante aparelho. Mas tenho as imagens e um pouco das sensações que a minha memória conseguir guardar e é com isso mesmo que vou alimentar o tal gravador que não existe, mas que pode ser sonhado e se os sonhos não podem ser gravados, podem pelo menos ser escritos…
suffer the children

Ando a experimentar um novo género de sofrimento diário. Uma forma diferente de fazer com que os meus dias, em diversas ocasiões fáceis de serem levados, mas muitas outras com um elevado índice de vão-se-todos-foder, tenham aquela aura irritantemente perniciosa de como quem diz: “estava capaz de me tornar numa daquelas pessoas cuja foto aparece nos noticiários depois de ter perpetrado um massacre violento num infantário durante a hora da sesta, com um maçarico de acetileno aceso numa das mãos e um moto-serra em plena velocidade assassina na outra, enquanto gritava com todo o vigor e a plenos pulmões “vou acabar com a vossa raça, malditos adoradores de plasticina e gomas de framboesa!”.
Não tenho absolutamente nada contra as pobres crianças! Nem sequer são elas que me andam a atormentar. Coitadinhas. Em abono da verdade, um dos sentimentos que mais me invade quando as vejo a correr por aí fora à procura de um pretexto qualquer para esfolar um joelho ou subir acima de uma árvore e tentar partir um braço na queda, é a inveja de não poder andar ao lado deles a correr e a jogar à bola, a partir vidros só porque sim e a chamar ‘gordo’ aos barrigudos e caixa-de-óculos aos tipos que, como eu, usam óculos e são barrigudos… Existe uma beleza qualquer que emerge desta frontalidade infantil e da falta de qualquer tipo de pudor que os possa impedir de serem cruéis sem saber que o estão a ser. A ingenuidade que apaixona qualquer pessoa por aquela pureza que se inveja e se deseja. Quem me dera ser criança novamente…
A minha cruz não são as crianças, mas sim os outros. Os adultos! O meu calvário é não poder escudar-me na imunidade daquela frontalidade infantil e fazer saber a alguns desses adultos que o seu prazo de validade está a esgotar-se! Não interpretem erradamente o que estou a querer dizer! A intenção não passa por dar início à contagem decrescente da ampulheta até ao ponto em que se acenda um maçarico ou se comece a brandir um moto-serra e se vá procurar uma multidão para mutilar! Nada disso. Sou uma pessoa do bem. Sou da paz. Consigo alimentar uma imaginação plena de cenários mórbidos, sádicos, ricos em blasfémias e heresias, mas no fundo, sou bom rapaz. Gosto de um pôr-do-sol no Verão e de beber chá aos domingos…
Mas seria engraçado colocar todos esses caducos a caminhar na prancha, principalmente agora que a pirataria está tão na moda, apenas para aferir se eram merecedores de uma segunda oportunidade ou se, por outro lado, nem por isso. A verdade é que muitos deles estão a mais! Eu, se calhar, também estou. Se for demasiada a prática do orgulho na inutilidade da vida então, meus amigos, estamos lá a preencher as quotas estabelecidas para tudo quanto seja verbo de encher, peso-morto ou lastro!
Esgotam-me! Esgotam-me, porque todos os dias vão levando um bocadinho de mim. Levam-me tudo e estão dispostos a não me deixar nada. Nem um pouco da minha paciência, nem uma réstia da minha boa-vontade, nem um resumo da minha antiga alegria.
Cansam-me estes adultos de encher…
domingo, 12 de abril de 2009
going nowhere

Não vos parece que, por vezes, faz falta um sentido? Um propósito, um objectivo, uma meta ou outro qualquer sinónimo que consigam encaixar aqui...? Tem que existir algo mais para além destas repetições. A viagem não se pode resumir a duas ou três paragens e apeadeiros! Principalmente se viajamos sozinhos...
Subscrever:
Comentários (Atom)









