segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

já estiveste aqui


Sabes que já estiveste aqui antes, és capaz de o sentir e estarias capaz de o jurar, se não fosse pelo desconforto que continua a roçar-te na pele, aquela sensação familiar de quem mergulha sem saber muito bem onde fica sem pé.

Sabes que já aqui estiveste antes, mas não te lembras do que tiveste que fazer para avançar e deixar tudo para trás. Já nem sabes quanto tempo aqui permaneceste. Não te lembras se estás num destino ou numa paragem. Um apeadeiro no tempo? Aí quase não tens tempo para nada. Nem sabes exactamente para que precisas de tanto tempo. Para a paragem ou para o destino? Não será também cada uma dessas paragens um pequeno destino para alguém? Talvez não seja o teu, aquele que procuras, aquele que desejas. Mas pode ser o do nome que está ao teu lado. Não és o único que deseja. Ainda que possas viajar sozinho.

O desejo tem muitas caras e vive em muitos destinos diferentes. Responde também por diversos nomes. Comporta-se como um criminoso em fuga, um passo à nossa frente. O seu grande crime é levar-nos a acreditar que encontraremos ainda mais do que procuramos no próximo destino, mas nunca nos revela que o que deixamos para trás jamais voltará a ter o mesmo sabor. Maldito seja.

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