Parece
existir uma luz acesa, do outro lado daquela porta. Notam-se os rasgos de
claridade, recortados por entre as sombras de tudo o que ela encontra e
atravessa pelo caminho. É uma luz estática, quase cadente, mas que ainda assim
se lança em distância e em plano, que dobra contornos e cruza paralelos,
fugitiva permanecendo em cativeiro, sujeita à barreira torcionária da velha
madeira de uma porta. Desperta e encaminha, ofusca e confunde. Uma chave ausente
é tudo o que separa a consciência da luz e a sua percepção. O seu propósito ou
o seu fim.

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