
Está a acontecer novamente. Tal como aconteceu no ano anterior e estará novamente a acontecer entre nós no vindouro. Essa festança brava, essa overdose de folia e boa disposição, esse nunca acabar de bailaricos e fantasias, essa tradição pagã em que a lei que governa é a do “é carnaval ninguém leva a mal”!
Vamos com calma. A situação não é tão linear assim. Em primeiro lugar, eu levo a mal que ninguém me saiba explicar de onde surgiu esta apetência para que, durante pelo menos três dias e noites, homens adultos se vistam de varinas, enfermeiras, bailarinas e princesas, enquanto dançam alegremente pelas ruas cantando “oooh meu amigo Charlie Brown!!”. Estas são as mesmas pessoas que durante o resto do ano estão em casa, com o fundilho das calças completamente cosido à poltrona, tecendo pragas aos travestis dos musicais da Revista e vaticinando o fuzilamento de todos os homossexuais que participem na anual Love Parade, apenas efectuando o esforço de sair dos limites da sala para fazer estalar a cara do seu petiz de seis anos, que brinca sozinho no quarto com o seu amigo imaginário... Levo também um pouco a mal que ninguém me saiba explicar porque razão durante estes dias existe tanta alegria e boa disposição, tanto sorriso e brincadeira, que me dá a sensação que todo o país se encontra no meio de uma experiência ácida colectiva. Todos tomaram o mesmo número de comprimidos. Ao mesmo tempo. Eram todos da mesma cor...
Mas existem festas porreiraças e fantasias bem conseguidas. Há quem tenha a imaginação suficiente para cozinhar uma máscara original, uma fantasia divertida, uma caraça, como me lembro de dizer quando era um puto irritante a querer brincar ao carnaval... Lembro-me de algumas que me fizeram soltar umas valentes gargalhadas devido à sua criatividade, no entanto, existem umas que me espantam pela sua completa falta de contexto e sentido.
Tenho, então, esse enorme fascínio por um determinado tipo de mascarados, mais propriamente, um tipo de máscara a que me habituei tratar por Terrorista Pastor! É verdade! Certamente já tiveram oportunidade de se cruzarem com eles, são os tipos que primam por se vestir como se tivessem acabado de gravar o vídeo de despedida para a família que vive em Gaza e fossem agora estourar com um autocarro israelita ou o que seja que esses indivíduos apreciam estourar para passar um tempo divertido. No entanto, estes terroristas mascarados trazem com eles um pormenor delicioso: uma vara de pastor!
Tenho, então, esse enorme fascínio por um determinado tipo de mascarados, mais propriamente, um tipo de máscara a que me habituei tratar por Terrorista Pastor! É verdade! Certamente já tiveram oportunidade de se cruzarem com eles, são os tipos que primam por se vestir como se tivessem acabado de gravar o vídeo de despedida para a família que vive em Gaza e fossem agora estourar com um autocarro israelita ou o que seja que esses indivíduos apreciam estourar para passar um tempo divertido. No entanto, estes terroristas mascarados trazem com eles um pormenor delicioso: uma vara de pastor!
Eles andam por aí aos bandos, aos pares ou em voos solitários, com movimentos a lembrar criaturas com fortes desordens do foro psicológico, ora em absoluto silêncio, ora comunicando através de grunhos e vocábulos monossilábicos para que, ao que parece, ninguém os consiga reconhecer... Mas não posso deixar de pensar com os meus botões: porquê? O que leva uma pessoa adulta a escolher fantasiar-se de Terrorista Pastor? Será que as opções estavam entre isso e a Varina De Bigode? O que pastoreia um terrorista? Serão membros da Frente Esquerdista para a Libertação e Independência do Pasto Aberto?
Eu questiono-me, em que mente brilhante terá surgido esta combinação inesperada? Imagino quem terá juntado estas pontas soltas na sua mente: “olha que está bem visto, se arranjar um fato-macaco pesado, de preferência bastante sujo, com alguma substância viscosa para parecer ainda mais real e as pessoas não se aproximarem de mim; umas botas pesadas, de algum mineiro distraído ou de um lavrador que esteja de folga, com umas meias grossas e de uma cor garrida, para que a fermentação dos fungos possa correr de feição e o cheiro se propague de uma forma eficaz; podia também colocar uma almofada na barriga, para todos pensarem que sou mais gordo do que na realidade e para que a temperatura do meu corpo aumente de forma dramática, fazendo assim com que o meu desconforto seja cada vez maior; já agora, porque não meter um gorro na cabeça, apenas com uns pequenos orifícios para os olhos e para a boca, para que o meu crâneo comece a ferver ao ponto de derreter os meus olhos; podia também colocar uma máscara em cima disto tudo, para que a minha visão seja ainda mais dificultada e para que me seja praticamente impossível beber um copo que seja ou fumar um cigarro relaxante, (onde os dísticos da ASAE me permitirem), tornando-me assim, a cada segundo que passe, uma pessoa mais desidratada e irritante, não vá o diabo tecê-las e alguém reconhecer as minhas feições... Mas ainda assim, as pessoas podem desconfiar de quem eu seja... Já sei, não vou falar durante toda a noite, para que não reconheçam a minha voz e conseguir assim ganhar aquela reputação do mascarado mais anti-social da festa; posso também dançar e mexer-me como se tivesse sido atingido na espinha dorsal por um inter-cidades ou um daqueles TGV’s modernos! Isto sim é que é uma fantasia! Isto sim é que vai ser divertimento! Não me quero gabar, mas isto está uma máscara dos diabos! Eh pá, sabem o que é que ficava a matar com isto tudo...? Uma vara de pastor!”
1 comentário:
pois eu estou inclinada a apostar na experiência ácida colectiva.. com a moca o melhor de todos vem à tona.é a história do azeite pá, não há escapatória ahahaha
(xaudades tuas)
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