terça-feira, 8 de janeiro de 2008

not a writer's block


Faz algum tempo atrás, foi-me perguntado porque razão não permitia que a criatividade, que tento depositar nestas palermices que vou escrevendo, pudesse tomar outros rumos que não apenas as referidas palermices que aqui vou deixando. Porque não temas mais profundos e divagações mais filosóficas, dado que a filosofia e a divagação sempre foram áreas em que me senti bastante confortável, apesar de não passar de um tipo que divaga e vai fazendo umas considerações tolinhas pelo meio? Sim, porque não? Bom, a verdade é que este espaço nunca possuiu um tema ou destino específico. A pretensão continua a ser a de um mero depósito de palavras e diálogos a um interlocutor, coisa que pode soar preocupante se esses diálogos forem em voz alta... É certo que muitas das coisas que vão sendo aqui deixadas têm tido um denominador quase comum, seja ele o cinema ou a música, mas isto deve-se apenas ao acaso momentâneo das coisas que teimam em ser transformadas em letras enquanto descanso o meu gordo traseiro nesta cadeira que me provoca fortes dores lombares.
Nada invalida a presença de outras palavras menos tolas neste espaço. Elas apenas ainda não surgiram. Talvez amanhã ou na próxima semana. Talvez no próximo post. Talvez não venham a surgir sequer. Pode ser sintomático, mas já não me lembro da última vez que a minha veia criativa se libertou e as tolices ficaram de parte para dar lugar a outros temas. Divagações, principalmente. Mas recordo-me de tempos em que se escrevia praticamente em todos os lugares, em todas as ocasiões e em praticamente todos os estados possíveis da demência ébria. Não que alguma vez tivesse pensado que era escritor, apenas registava umas coisas de vez em quando. Admiro muito as pessoas que têm esse dom e que de uma forma ou de outra conseguem criar todos esses pedaços de arte que podemos encontrar por onde os queiramos descobrir. Sinto admiração por quem escreve um bom livro. Que diabo, até por quem escreve um mau livro, pois pelo menos teve a coragem de se apresentar a escrutínio público! Não é fácil... Sinto admiração por escreve uma boa letra de uma música, por quem cria um bom texto de comédia que faça rir outras pessoas! Até mesmo por quem escrevia aqueles artigos bestiais na Revista Mecânica Popular acerca da construção de aquários e de jardins japoneses, que o meu pai colecionou durante tanto tempo...
Aprecio a escrita quase da mesma forma como aprecio a música e o cinema. Estes dois últimos têm tido maior presença neste espaço, apenas porque gosto de falar sobre eles. Mal ou bem. Com ou sem conhecimento de causa. Mas gosto. Tenho especial apetência para maçar os outros com estes meus vícios e, pelo menos aqui, só se aborrece quem aparecer para ler as palermices que vou deixando (sim, falo de todos vocês três ou quatro!), escusando-me o desconforto das imensas declamações públicas, com vagas explicações da razão pela qual gosto de ouvir Tom Waits da mesma forma que me dá prazer escutar um qualquer tema de Finntroll ou porque 'The Usual Suspects' é um dos meus filmes preferidos, tal como o é 'High Fidelity'!
Talvez daqui a um ou dois posts os temas sejam temperados de outra forma. Talvez não. Tudo acaba sempre por depender do meu sofrimento lombar...

Sem comentários: