segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

jovem procura companheira



Um destes dias vou aventurar-me e colocar um anúncio num jornal, revista ou site, qualquer que seja a plataforma onde se colocam anúncios! Uma coisa do género jovem procura companheira, para ver se (como dizem os antigos) consigo assentar e orientar a minha vidinha...
Mas a tarefa não se assemelha fácil. Existem muitos critérios a preencher, muitos pormenores que parecem insignificantes, mas que podem ditar a diferença entre uma aposta feliz e uma primeira página de um jornal como O Crime! Coisas minhas, a bem dizer...

Não deverá ser demasiado baixa, nem demasiado alta, pois não tenho estofo psicológico para ser conhecido como o minorca de alguém. A não ser que possua um daqueles corpos descomunais, uma versão nórdica acompanhada por uma daquelas caras que só apetece embrulhar naquele plástico de bolhinhas, pois temos receio que se possa partir. Estou certo que neste ponto estará alguém a pensar “olha o tipo a sonhar com um estereótipo...”. Não consigo ter nada contra sonhos desta natureza. É sempre uma delícia ser envolvido por um desses tais corpos descomunais e eu sempre sonhei em ter um parque de diversões só para mim!

Não poderá ser demasiado novinha, pois não me apetece ter chatices com as autoridades e não tenho paciência para andar a decorar paredes com posters dos Morangos, nem demasiado velha, pois dá-me a parecer que o carbono 14 é um bocadinho caro e depois pode-se tornar mais complicado para saber em que dia exacto é o seu aniversário! Se bem que a experiência de anos acumulada poderá ser bastante proveitosa em diversos campos que de vez em quando me ocorrem à mente... No entanto, se quisesse tornar-me no brinquedo de alguém, por esta altura estaria a viver numa prateleira qualquer algures no Toys R Us à espera que chegasse Dezembro!
Terá que ser feminina o suficiente para me massacrar o juízo sempre que deixar o tampo da sanita levantado e para apreciar lingerie e camisas de dormir com rendas e transparências! Mas esses serão os únicos locais onde serão permitidas as rendas! O uso ocasional de saias é um imperativo, uma vez que esse é dos poucos fetiches a que o meu pensamento moderadamente lascivo se permite! Bom, saias e sexo oral, pronto...
Para equilibrar de forma inteligente com o aspecto feminino da coisa, deverá também ser suficientemente atlética para conseguir carregar objectos relativamente pesados sem sentir necessidade de pedir ajuda, pois o receio de estragar a recente pintura de unhas é demasiado para conseguir suportar! Mas terá que ser habilmente capaz de suportar horas seguidas de frenético consumo alcoólico, seguido de horas seguidas de frenética prática sexual, incluindo algumas modalidades que ainda são proibidas em algumas zonas do mundo.

Pretendo que seja inteligente! Mas não ao nível de uma criança de três anos a quem as cores fazem confusão e as tomadas das paredes parecem convidar a que se metam lá os dedos! Havemos de encontrar locais mais interessantes onde ocasionalmente colocar os dedos! Se tiverem um quoficiente de inteligência daqueles que rebentam a escala, não se incomodem a responder, pois não pretendo adquirir oitenta e dois volumes de enciclopédia apenas para conseguir perceber o que respondem quando um tipo lhes pergunta como correu o dia...

Terá que gostar de literatura! Não existe necessidade de citar o Guerra e Paz de cor, nem de me conseguir explicar a Metamorfose de Kafka como se eu fosse uma criança de oito anos ou mesmo apontar as diferentes tendências existentes na moral kantiana em oposição aos autores da corrente Humanista, mas tem obrigatoriamente que saber que o Superhomem de Nietzsche não é um indivíduo de capa vermelha com pronúncia alemã ou que o Marquês mais boa onda da História não foi o tipo da baixa pombalina, mas aquele a quem muitos acusaram de sodomita e que alguns outros demais ainda hoje consideram um incompreendido! Deve também compreender que existe vida para além de Saramago e que um livro com letras muito pequeninas e sem bonecos não nos vai roubar a alma...

O gosto pela música será indispensável! Aqui pede-se a largura de horizontes necessária para conseguir apreciar com a mesma alegria e vigor o som de influência tradicional/folclórica dos Balcãs ou o metal extremo dos adoradores de Satanás da Noruega, passando pela noção que o bom reggae pode existir sem que Bob Marley exista, a kizomba é aborrecida, os Tokyo Hotel já têm idade suficiente para ter juízo mas não para serem ícones, a música dos ABBA já existia muito antes do musical Mamma Mia e lá porque uma música passa na rádio não quer dizer que seja boa.
Deve possuir estofo suficiente para passar algumas horas a olhar para um palco onde quatro ou cinco tipos suados mostram a música que criaram, ao mesmo tempo que coordena uma cadência regular com um pé à sua escolha, evitando o comentário habitual de que um indivíduo quando grita não está a cantar, pois assim evita o desconforto de tentar explicar a Tina Turner, a Janis Joplin ou mesmo o Leonard Cohen e o Abrunhosa.

A apetência para o cinema é também um critério muito importante a ter em conta, para o qual existem algumas particularidades, como sejam a noção de que as comédias românticas são ideais para se verem quando não existe uma casa-de-banho para limpar ou meia tonelada de lenha para carregar para o quarto andar; qualquer filme de terror em que não entre Christopher Lee, Boris Karloff, Bela Lugosi, Peter Cushing, Peter Lorre ou Vicent Price é uma produção de segunda linha; um musical que se preze chama-se Música no Coração, O Feiticeiro de Oz, Um Americano Em Paris ou Singing In The Rain; Stallone e Schwarzenegger são os maiores, mas Clint Eastwood, Chuck Norris e Charles Bronson é que dominam; o Bruce Lee bate no Jet Li!
É necessário ter a visão crítica suficientemente apurada para poder afirmar que o Jim Carey, apesar de bom, não passa de um Jerry Lewis reciclado e actualizado; filmes a preto e branco também são bons; filmes falados numa língua que não o inglês também são bons; nem tudo o que ganha um Óscar é bom; e por aí fora...

Assim, de repente, são algumas das coisas que me lembro, mas no fundo, no fundo, bastava colocar no anúncio: “Jovem procura companheira. Dá-se preferência a seios generosos!”. Estejam à vontade para responder...

1 comentário:

Anónimo disse...

AHAHAAHAHAH
TÁS FODIDO meu priminho lindo... nós somos umas bestas de criaturas!