sábado, 5 de janeiro de 2008

mercado de Inverno


Terminada a época sazonal dedicada ao enfardamento de fritos e licores de qualidade duvidosa, abrilhantada com a segunda gripe conseguida no espaço de dois meses, eis-me de volta ao mundo onanista da palavra feita post e do post feito blog (ou será blogue?).
O aniversário do Messias lá decorreu com as habituais oferendas pagãs de derivação consumista, para justificar os habituais ajuntamentos familiares de emoção controlada e limitada à duração temporal dessa estação tradicional. Como é também tradição, lá surgiram os aftershaves, as pantufas e os chinelos e tudo o restante que nunca foi oferecido a Cristo. O que eu não daria para receber um pouco de ouro, incenso ou mirra... Principalmente ouro, uma vez que nem sei ao certo o será a mirra.
Posto isto e ultrapassada esta etapa, deparamos com outra comemoração também tradicional: o passar de um dia para o outro! Mas ao contrário do que é normal nos restantes dias do calendário, com direito a contagem decrescente, roupa interior azul e degustação de passas! Bom, se já tenho dificuldade em compreender porque razão um septuagenário vestido de vermelho que se faz transformar num trenó puxado por renas voadoras tem tamanho papel de destaque no aniversário do Salvador, mais ainda para compreender estes rituais. O das passas e da roupa interior azul, quero dizer... O consumo massivo de alcóol ainda faz algum sentido, porque isto de esperar um ano inteiro para fazer uma contagem decrescente de 10 segundos, pode levar algumas almas a um ponto de saturação bastante elevado e há que aliviar a condição de alguma forma. Que seja então atingido um novo patamar médico no pré-coma alcóolico e não suficiente, deitando a mão a uma ou duas armas de fogo e soltando umas quantas fogachadas para o ar! Há tradições tão bonitas... Contagens decrescentes e tiros de caçadeira combinam muito bem, eu acho...
Algo que também me escapa um pouco são aqueles votos que escapam da boca de todos: Bom ano! Um bom ano para ti! Bom ano para todos! Exactamente em que altura é que desejar bom ano deixa de ser uma atitude cordial e passa a tornar-se parvo? É que eu estou preparado para chegar a meados de Junho ainda a ouvir alguns indíviduos a desejarem-me 'um bom ano'!
Desenganem-se aqueles que traduzem estes meus devaneios como uma crítica frontal à época, porque nem eu sei ao certo o que muitas vezes digo ou o que quero dizer com isso. Sim, porque eu como o bacalhau, fiel amigo (não será um pouco abusador colocar no centro dos nossos banquetes aquilo a que chamamos, um fiel amigo? O que é que isso nos diz acerca da forma como cultivamos as nossas amizades?), ofereço pantufas e Ferrero Rochés (Natal sem Ferrero Rochés é uma farsa!) e faço questão de me alcoolizar profundamente quer neste dia, mas principalmente naquele em que fazemos uma contagem decrescente para passarmos para o dia seguinte. Com alguma coisa tenho que me entreter, meus amigos. O meu sistema digestivo não é grande apreciador de passas...
Um bom ano para todos!!

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