
Gostaria de possuir a capacidade de citar estudos feitos por universidades americanas e instituições privadas especializadas em estatística, para tornar as minhas conversas mais ricas em dados estatísticos. É sempre um bom remate para uma frase. Chega a ser, não raras vezes, um excelente arranque para uns minutos no palanque do momento. Iniciar uma dissertação com um "de acordo com um estudo que li em qualquer lado...", oferece uma espécie de legitimidade a qualquer palermice que possa surgir logo a seguir e evita-se correr o risco de não sermos levados a sério. Se houve quem tivesse perdido tempo a elaborar um estudo, é porque deve conter alguma espécie de validade. Gostava de conseguir fazer citações desse género. Mas não sou capaz. Torna-se difícil vir a conhecer esses estudos, a não ser que venham publicados no Correio da Manhã ou nos folhetos do Lidl e com leituras deste calibre o que mais retemos na memória são o número de pessoas sexagenárias que são esfaqueadas por semana, por causa de uma sebe ou de um estendal de roupa ou, em alternativa, a sensacional promoção da azeitona descaroçada num estabelecimento perto de si.
Tornei-me num leitor preguiçoso e, infelizmente, ainda não consegui descortinar um antídoto eficaz para esta miserável condição. Parecem ser distantes os tempos em que a ânsia da leitura colhia frutos à ordem de dois títulos por semana, aproximadamente. Mas sem nunca ter abraçado o modo Marcelo Rebelo de Sousa de leituras diagonais ou assistidas e sebentadas a uma velocidade de 40 obras por mês. Para mal dos meus pecados, a minha capacidade de concentração e memória, no momento, assemelha-se à de uma ameba e dificilmente me consigo focar na leitura e compreensão das instruções de uma refeição pré-congelada, quanto mais na tarefa de ler um livro de ponta a ponta. Mas ainda não perdi a esperança. Tenho noção que estas coisas são passageiras e quando menos estiverem à espera já sou capaz de citar Nietzsche e António Lobo Antunes novamente. Bom, pensando bem, talvez não. Nunca li uma obra de Lobo Antunes e não me recordo muito bem de Nietzsche. Mas fica sempre bem, quando falamos com intelectuais, soltar um ou dois destes nomes, aproveitando também para mencionar um pouco de jazz de fusão e cinema independente do Bangladesh (voltem Argutos, estão perdoados!). Os intelectuais gostam dessas coisas. A grande maioria também gosta de zoofilia e de banhos negros e chuva dourada. Sei disto porque li num estudo de uma universidade americana...
2 comentários:
as coisas que não andas a ler
as coisas que não andas a pensar
as coisas que não andas a dizer
sim, são palavras!
OH GOD!!!! és a minha vergonha
ahahahahahahahahahahahahha :*
tens que ir a minha casa, tens lá um gift :)
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